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Lamy trará 'vitalidade' para a OMC, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A provável escolha do francês Pascal Lamy para ser o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) deve servir como um incentivo para destravar as negociações comerciais da Rodada de Doha, de acordo com a avaliação de analistas ouvidos pela BBC Brasil. "A eleição de Lamy é uma injeção de vitalidade para a OMC", comentou o editor da revista Foreign Policy, Moises Naím, especialista em política e economia internacional, em Washington. "Esta organização está moribunda. A OMC é uma organização jovem, com poucos recursos e que nos últimos anos teve sua capacidade muito limitada. É muito importante ter um líder que lhe dê maior vitalidade." Pascal Lamy iniciou a sua carreira na auditoria do Ministério das Finanças da França e, de cargo em cargo, acabou como consultor direto do primeiro-ministro do país. Também em Bruxelas, Lamy entrou na Comissão Européia com um cargo na assessoria, mas que lhe guiou até a indicação como comissário de comércio, um dos cargos mais importantes do bloco. É uma carreira que lhe rendeu uma extensa rede de contatos, que pode ser agora muito útil na direção da OMC, segundo o professor da London School of Economics Razeen Sally. "A principal vantagem da indicação de Lamy é que ele é um peso pesado, com reconhecimento político ao redor do mundo e que pode pegar o telefone e ligar para chefes de Estado a qualquer momento. Com isso, ele pode ter maior autoridade para chefiar as negociações comerciais da OMC", avaliou Sally. Já Philipe Legrain, ex-assessor especial do diretor-geral da OMC Mike Moore entre 1999 e 2002, destaca que Lamy contribuirá para o andamento do comércio mundial por ter apoio dos Estados Unidos e da Europa. No entanto, ele lembra que Lamy, sozinho, não mudará a atual situação das negociações comerciais globais. "Ele não será como um presidente, que representa apenas determinados interesses e tem o poder de tomar decisões. Isso precisa ser feito pelos 148 membros da OMC." Mediador Caso chegue ao comando da OMC, Lamy terá que exercitar sua habilidade como mediador – habilidade que será submetida a uma prova de fogo quando tiver que chegar à conferência ministerial de Hong Kong, em dezembro, com um documento final para a Rodada de Doha, lançada há quatro anos. Lamy terá que se aproximar principalmente das economias emergentes com as quais bateu de frente quando estava no cargo de comissário de comércio da União Européia. Para Sally, Lamy precisará convencer os países em desenvolvimento que terá uma posição diferente como diretor-geral da OMC. "Lamy terá que demonstrar que é a favor da liberalização do comércio mundial, principalmente na área de agricultura, e que não tem a intenção de adotar o mesmo modelo protecionista que adotou quando estava na União Européia", disse o professor. O economista José Manuel Salazar, diretor do Escritório de Comércio, Crescimento e Competitividada da Organização dos Estados Americanos (OEA), diz que houve um receio entre os países em desenvolvimento sobre as posições que Lamy vai adotar na direção da OMC, mas que é preciso lhe dar um crédito. "Há um certo receio de que pelo seu histórico ele poderia defender a posição européia e isso poderia comprometer sua liberdade, mas não acho que há base para isso", disse Salazar. Oficialização Lamy é o último candidato da disputa pela direção-geral da OMC. A corrida começou ainda com as candidaturas de Carlos Pérez del Castillo (Uruguai), Luís Felipe Seixas Corrêa (Brasil) e Jaya Krishna Cuttarree (Ilhas Maurício). Após as consultas aos membros da OMC, foi verificado que os demais candidatos não tinham o apoio necessário para continuar na seleção. Por isso eles retiraram suas candidaturas, como previsto nas regras da instituição. Na avaliação de Naím, é errada a suposição de que o candidato brasileiro, Luís Felipe de Seixas Corrêa, teria sido melhor para o Brasil porque defenderia os interesses do país na organização. "É possível que o candidato brasileiro tivesse mais limitações para ajudar o Brasil do que o candidato francês", disse ele. "Pascal Lamy não tem que se desculpar com ninguém se tomar iniciativas que sejam favoráveis a posições do Brasil." Os membros da OMC se reúnem pela última vez para oficializar a nomeação de Lamy no dia 26 de maio. |
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