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Países em desenvolvimento apostam em uruguaio na OMC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O candidato uruguaio Carlos Pérez del Castillo entra nesta segunda-feira na fase final da disputa pela direção da OMC (Organização Mundial do Comércio) como a esperança de grande parte dos países em desenvolvimento. Na semana passada, Pérez del Castillo, que disputa o cargo com o francês Pascal Lamy, recebeu o apoio formal do Brasil, cujo candidato, Luís Felipe Seixas Corrêa, foi derrotado na primeira fase da eleição. Além de Seixas Corrêa, o candidato das Ilhas Maurício, Jaya Krishna Cuttarree, também abandonou a disputa, que será definida até o dia 31 deste mês. Na avaliação de especialistas, Castillo é a opção ideal para os países em desenvolvimento por conhecer melhor as necessidades das nações emergentes. "É importante que os países em desenvolvimento tenham um representante de um país em desenvolvimento. É melhor do que ter um representante de um país rico que finge ser amigo deles", disse Philipe Legrain, ex-assessor especial do diretor-geral da OMC Mike Moore entre 1999 e 2002. O "amigo falso" a quem Legrain se refere é o candidato francês, que, até agora, teria registrado o maior nível de apoio entre os 148 membros da OMC (os votos são secretos e grande parte dos países não divulgou publicamente sua preferência). Na avaliação de Razzen Sally, diretor do departamento de comércio internacional da London School of Economics (LSE), Lamy "está mais na linha com os votos dos países em desenvolvimento" e pode comandar a OMC "inspirado no modelo da União Européia, isto é, protecionista". "Já Castillo está mais com os votos dos países em desenvolvimento, principalmente, da América Latina e da Ásia", adicionou. Mas Castillo não é unanimidade entre os emergentes. Houve muito descontentamento em relação ao uruguaio depois da reunião ministerial de Cancún, quando Castillo apresentou um texto para as negociações agrícolas que desagradou o governo brasileiro e a outros países interessados na liberalização dos mercados dos países desenvolvidos. "Foi uma crítica infundada. Eu estava lá e vi o que estava acontecendo do lado interno e externo e, certamente, Castillo levou muito do crédito até pelo fato de a reunião ter sido realizada", defende Jeffrey J. Schott, diretor do Instituto de Economia Internacional, de Washington, e ex-assessor do Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) na Rodada de Tóquio, na década de 70. Qualificados Embora o uruguaio seja, na opinião dos especialistas, a melhor opção para os países em desenvolvimento, eles ressaltam que isso não significa que, caso assuma o cargo, vai defender apenas a causa dos emergentes. "Você não pode olhar para o diretor-geral da OMC e pensar em quem ele está representando. Ele não é um presidente", disse Legrain. Os analistas destacam que ambos os candidatos são "muito bem qualificados", embora com estilos diferentes. Lamy seria mais influente, com uma extensa rede de contatos entre os líderes da comunidade internacional desenvolvida, em grande parte, durante seu trabalho como comissário da União Européia para o Comércio. Castillo já seria mais reconhecido por sua experiência dentro da própria OMC, onde ocupou o cargo de presidente do Conselho da instituição. "Ambos os candidatos têm o comprometimento e as habilidades necessárias para finalizar a Rodada de Doha", disse Schott. Castillo e Lamy também guardam algumas semelhanças em determinados assuntos. Em recente entrevista ao jornal britânico Financial Times, por exemplo, ambos defenderam que os Estados Unidos e a União Européia não deveriam aplicar salvaguardas às importações de produtos têxteis da China já que os países ocidentais tiveram dez anos para se preparar para o fim do sistema de quotas mundiais no setor em janeiro. Pelas regras da OMC, a escolha do próximo diretor-geral tem de ser feita três meses antes do término do atual mandato – nesse caso, o atual diretor-geral, Supachai Panitchpakdi, sai no dia 31 de agosto. O vencedor precisa ser aprovado por todos os membros. A posse será em setembro e a primeira tarefa do novo diretor é difícil: chegar a uma proposta final da Rodada de Doha para a reunião ministerial de Hong Kong, em dezembro. |
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