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'Politização' da agricultura ameaça rodada de Doha, diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta segunda-feira em Paris que a 'politização' de temas das negociações agrícolas ameaçam comprometer o desempenho da chamada rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que prevê a liberalização do comércio mundial. Amorim se referiu ao principal obstáculo na questão do acesso aos mercados agrícolas, tema que será discutido na quarta-feira em uma reunião mini-ministerial da OMC na capital francesa: a conversão das tarifas específicas de importações para tarifas “ad valorem”, medida que permite, na avaliação do Brasil, deixar mais explícitas as tarifas de importação de produtos agrícolas praticadas por países ricos, principalmente europeus. “Está havendo uma politização errada de um termo técnico. Países extremamente protecionistas na área agrícola estão utilizando este termo para tentar paralisar as negociações ou para tentar extrair concessões dos países em desenvolvimento”, afirmou. O ministro Celso Amorim chegou nesta segunda-feira a Paris e se reuniu nesta tarde com o novo representante dos Estados Unidos para o Comércio, Robert Portman, que substituiu Robert Zoelick. "Insatisfação" Segundo o ministro, “há uma insatisfação compartilhada entre Brasil e Estados Unidos em relação a países extremamente protecionistas na área agrícola. Amorim afirmou ainda que esta tendência de politização do assunto pelos governos para bloquear ainda mais as negociações ou como “moeda de troca”, para exigir concessões dos países em desenvolvimento, “corre o risco de se agravar”. A França, por exemplo, que atravessa uma crise política interna em razão da possibilidade de que a Constituição Européia seja rejeitada em um referendo em maio próximo, dificilmente poderia fazer concessões que seriam fortemente criticadas pelos agricultores do país. “A OMC está vivendo um momento difícil, não sei se decisivo, mas importante”, disse Amorim. Para o ministro, a falta de avanços na agricultura pode comprometer outras negociações da rodada de Doha, que trata ainda de serviços e produtos industriais. "A agricultura é o motor desta negociação", insistiu o ministro. Amorim disse ainda que se a União Européia fizer mudanças significativas na área de acesso aos mercados agrícolas, outros países ricos, como Japão, Suíça e Noruega, poderiam ser levados a fazer o mesmo. Mas se depender do avanço das reuniões preparatórias realizadas por técnicos dos governos envolvidos, a mini-ministerial da OMC corre o forte risco de terminar sem novidade. Segundo negociadores brasileiros que tiveram encontros nesta segunda com técnicos de outros países, “nada evoluiu até o momento e o jogo continua o mesmo”. Este primeiro semestre é tido como importante para evitar um novo colapso na próximo reunião ministerial da OMC, em Hong Kong, em dezembro. O ministro Celso Amorim participa de inúmeros encontros nos próximos dois dias na capital francesa para tentar desbloquear a questão do acesso aos mercados agrícolas. Na terça-feira, Amorim participa pela manhã de um encontro com representantes da Índia e da África do Sul, além de uma reunião do G-20, o grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil. À tarde ele terá uma nova reunião, da qual participam, além desses dois países, representantes da Europa e dos Estados Unidos. Na quarta-feira o ministro participa da reunião da OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e da mini-ministerial da OMC, que contará com a participação de 30 países membros. O ministro Amorim preferiu não revelar qual candidato ao cargo de diretor-geral da OMC o Brasil irá apoiar. Ele disse que a decisão será tomada na próxima semana, mas deu uma boa idéia do nome do eventual escolhido. “É muito difícil para o Brasil votar contra um candidato da América Latina”, afirmou Amorim, dando a entender que o país apoiaria o uruguaio Carlos Perez del Castillo, cuja candidatura o Brasil tentou eliminar para favorecer à do brasileiro Luiz Felipe de Seixas Corrêa, que saiu da disputa no mês passado. |
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