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Perfil: Pascal Lamy defende globalização 'controlada' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O próprio Pascal Lamy se considerava o favorito para a vaga de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Em todos os critérios, principalmente aqueles relativos à diversidade Norte-Sul, eu estou nitidamente à frente", disse Lamy antes da indicação. Proveniente da elite francesa, o socialista Pascal Lamy, de 58 anos, diz que pretende estabelecer pontes entre os países industrializados e as cada vez mais influentes nações em desenvolvimento que integram a OMC. Como comissário de Comércio da União Européia entre 1999 e 2004, Lamy sempre defendeu uma globalização "controlada" e apoiou os países em desenvolvimento na luta para diminuir os subsídios das exportações agrícolas, apesar das críticas de seu próprio país, a França. Por outro lado, Lamy é acusado de ter falhado ao retirar os chamados Temas de Cingapura - investimento, políticas de competição, medidas de facilitação de comércio e compras governamentais - das negociações de comércio global. Especialistas acreditam que agora Lamy vai ter de lidar com as problemáticas negociações numa nova rodada de liberalização de comércio, que foi lançada em Doha, no Catar, em 2001. A rodada de Doha tem como objetivo cortar subsídios, tarifas e outras barreiras para o comércio global. Livre comércio Lamy é considerado uma "brilhante máquina intelectual", que trabalha duro, gosta do jogo de poder e admite abertamente que está "entre aqueles que colocam um pouco mais de razão do que paixão" naquilo que fazem. Ao defender sua candidatura para o cargo de diretor-geral da OMC em janeiro, Lamy disse que a "abertura de mercados e a redução de barreiras para o comércio é e vai continuar sendo essencial para estimular o crescimento e o desenvolvimento". A posição favorável ao livre comércio faz com que Pascal Lamy seja odiado pelo movimento anti-globalização e uma parte da própria esquerda francesa despreza suas raízes políticas. O novo diretor-geral da OMC estudou economia e política e formou-se na principal universidade de administração da França, a École Nacionale d'Administration. Ele começou sua carreira na agência de auditoria do Ministério de Finanças da França. Depois, Lamy se tornou consultor do ministro da Economia e Finanças Jacques Delors e do primeiro-ministro Pierre Mauroy. De 1984 a 1994, Lamy trabalhou em Bruxelas como chefe de gabinete do presidente da Comissão Européia Jacques Delors, representando-no no G-7. Em novembro de 1994, ele foi convidado para reestruturar o Crédit Lyonnais, onde acabou virando o número 2, abaixo do presidente Jean Peyrelevade. Depois da privatização do Crédit Lyonnais, Lamy foi indicado em julho de 1999 por Romano Prodi e o governo francês para a Comissão Européia. Em setembro do mesmo ano, o parlamento europeu confirmou Pascal Lamy no cargo de comissário de Comércio da União Européia. |
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