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Africanos selaram acordo com G4, diz Sardenberg | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O G4, o grupo formado pelo Brasil, Japão, Alemanha e Índia, ganhou nesta segunda-feira o apoio da União Africana, formada por 52 países da África, para elaborar um projeto conjunto de reforma do Conselho de Segurança da ONU, segundo informou o embaixador brasileiro Ronaldo Sardenberg. "Foi um avanço importante", comentou Sardenberg em entrevista à BBC Brasil. "Deverá gerar uma capacidade de voto muito alta (na votação da reforma na Assembléia Geral da ONU) somando aos votos do G4." Um assessor próximo ao embaixador negou a informação de que o encontro teria terminado sem resultados. Também não houve nenhum fiasco na avaliação de Sardenberg, que argumenta que o número de insatisfeitos entre os 52 países africanos é baixo. No encontro em Londres - que se estendeu mais do que o previsto e teve várias interrupções para consultas privadas de cada grupo - foi acertado que permanecerá a posição do G4 de examinar o direito de veto somente 15 anos depois que a resolução sobre a reforma for aprovada. Esse era um ponto polêmico entre os africanos já que alguns países, como Argélia e Líbia, queriam a inclusão dessa exigência no texto. "Chegou-se à conclusão de que, no momento, não é interesse reabir esse tema porque, tal como está no nosso projeto, temos a maioria da Assembléia Geral da ONU", observou o embaixador brasileiro. Assento Mas a União Africana saiu com uma de suas reivindicações atendidas na proposta de reforma – a adição de um outro assento não-permanente ao Conselho de Segurança, o que aumentaria o número de membros do órgão dos atuais 15 para 26 (mais seis permanentes e cinco não-permanentes, em relação ao número atual). "A maneira de fazer que nós encontramos é uma divisão desse assento entre as três regiões em desenvolvimento: África, Ásia e América Latina. Cada uma ocupará por dois anos esse assento, que irá variando. Dessa maneira, não haverá um prejuízo, pelo contrário, haverá um ganho para a Ásia e a América Latina, porque, se tivéssemos apenas um assento africano, a América Latina e a Ásia se sentiriam prejudicadas", disse o embaixador. Sardenberg destacou, contudo, que esse ponto não está fechado. Mesmo assim, o texto conjunto dos dois grupos, contendo essa proposta, já está sendo redigido em Nova York. O embaixador brasileiro disse que os 18 representantes da União Africana que estavam na reunião desta segunda-feira voltaram para os seus respectivos países para uma última consulta com seus governos. O embaixador espera que, assim que os africanos derem a palavra final, eles poderão votar a resolução na Assembléia Geral em um "prazo curtíssimo" – um embaixador havia comentado à BBC Brasil que a votação poderia ser feita ainda nesta semana. A votação final deve ser feita apenas em outubro, após a reunião de cúpula da ONU, segundo o embaixador brasileiro. Perguntado sobre as chances de aprovação, ele comentou: "Eleição só se decide depois que se apuram os votos, mas nós ganhamos muita força. Provavelmente nós estamos a caminho e temos a quantidade de votos necessários. Vamos continuar a trabalhar nesse próximos dois dias, em Nova York, para fortalecer esse processo e dar esse passo e levar a resolução à votação". Para a proposta ser aprovada, são necessários pelo menos 128 votos ou o apoio de dois terços dos 191 Estados-membros da ONU. CORREÇÃO |
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