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G4 faz última tentativa de acordo com África | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os chanceleres do Grupo dos Quatro (G4) - que inclui Brasil, Japão, Alemanha e Índia - se reúnem nesta segunda-feira, em Londres, com líderes da União Africana numa última tentativa de fechar uma proposta comum para a expansão do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com um diplomata brasileiro ouvido pela BBC Brasil, “estamos explorando várias possibilidades e é bem possível que uma resolução comum seja colocada em votação para a Assembléia Geral na semana que vem.” Em função do calendário da ONU, o G4 corre contra o tempo para votar sua proposta de expansão do CS antes da reunião de cúpula da instituição, agendada para setembro. A dificuldade nas negociações entre os dois blocos, que já duram mais de um mês, deriva das divisões entre os países do norte da África, como Argélia e Líbia, e países subsaarianos, como Nigéria, Gana e África do Sul. Divisão africana Enquanto o grupo da Argélia insiste que os virtuais seis novos membros permanentes do Conselho também tenham o direito de veto, hoje uma prerrogativa exclusiva dos cinco membros permanentes – Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China – o grupo da Nigéria parece disposto a desistir de tal exigência para associar-se ao G4. “Pela primeira vez temos um ímpeto suficiente para a reforma,” disse na última quarta-feira o chanceler nigeriano, Oluyemi Adeniji, que é também o presidente da União Africana. “Se perdermos esta chance, pode levar mais dez anos para que uma nova oportunidade apareça.” Aconselhada pela França, que é co-patrocinadora de seu projeto, o G4 decidiu adiar a discussão sobre a extensão do direito de veto para 15 anos depois da expansão do CS. Além da questão do veto, outra divergência entre a proposta africana e a do G4 diz respeito ao número de membros não permanentes a serem criados. Enquanto o G4 propõe quatro novos membros, os africanos reivindicam cinco. Voto individual Para um outro diplomata do G4, caso o seu grupo e os africanos não cheguem a um acordo, a União Africana poderia vir a liberar seus integrantes a votarem individualmente. “Acreditamos que, na falta de um consenso entre os africanos, a exemplo do que acontece com a União Européia, a União Africana vai liberar seus membros para votar individualmente na Assembléia Geral,” disse. Nesse caso, o diplomata acredita que o G4 contaria com o apoio “de pelo menos duas dúzias” dos 53 membros da União Africana. Já o diplomata brasileiro acredita que, se a União Africana rachar, entre 30 e 40 países votariam com o Grupo do Brasil. Para ser aprovada na Assembléia Geral, a proposta precisaria de pelo menos 128 votos, ou dois terços dos 191 estados membros da ONU. Mas além das negociações com os africanos, o G4 tem enfrentado a oposição radical em outras duas frentes. Na última sexta-feira, o grupo “Unidos pelo Consenso,” que se opõe ao G4, apresentou formalmente à Assembléia Geral sua proposta de expansão do CS, pedindo a criação de dez membros não permanentes para a instituição. O texto é co-patrocinado pela Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, México e Paquistão, entre outros países. Além disso, na última quarta-feira, o governo americano, que já vinha demonstrando publicamente sua oposição ao G4, enviou o subsecretário de Estado Nicholas Burns à sede da ONU para pedir que os Estados-membros votem contra a proposta do G4. Do Grupo dos Quatro, os Estados Unidos só apóiam a candidatura japonesa, alegando que antes de passar por uma expansão do Conselho de Segurança, as Nações Unidas precisam sofrer uma profunda reforma administrativa. “Nossa visão é de que é muito cedo para uma votação sobre a expansão do Conselho de Segurança. Primeiro a ONU precisa de uma reforma,” disse Burns. Métodos de trabalho De acordo com Edward Luck, professor da Universidade de Columbia e uma das maiores autoridades sobre as Nações Unidas, a melhor maneira de reformar o Conselho de Segurança não passa por sua expansão, mas pela adoção de novos procedimentos em seus métodos de trabalho. “Acredito que a melhor maneira de tornar o Conselho mais efetivo e democrático é ampliar os mecanismos de consulta entre os seus membros e os demais países da Assembléia Geral,” disse Luck. “Para o Estado membro em geral, com poucas chances de fazer parte do Conselho de Segurança, o que realmente importa é de que maneira ele vai interagir e influenciar o Conselho, além de saber o que se passa por lá.” Luck acredita que o Conselho “é bastante opaco em suas decisões.” Outra medida recomendada por Luck é a limitação do direito de veto por parte dos cinco membros permanentes do CS. “O veto deixaria de ser usado em casos como o de genocídio,” concluiu. |
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