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Primeira Impressão: Jornalista relata jornada da África do Sul a Israel | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Hirsh Goodman é um dos mais respeitados condutores no labirinto do Oriente Médio. Por muitos anos correspondente militar do jornal Jerusalem Post e, mais tarde, editor-chefe do prestigiado The Jerusalem Report, hoje ele é pesquisador sênior do Centro Jaffee para Estudos Estratégicos da Universidade de Tel Aviv. Goodman está pronto para relatar seu idealismo e amargura em memórias recheadas de uma honestidade que desarma, uma percepção aguçada, informações de quem teve acesso aos bastidores do poder e pitadas exatas de bom humor. O título quilométrico é pouco jornalístico, mas bastante ilustrativo. Lá vai: Let me Create a Paradise, God Said to Himself: A Journey of Conscience from Johannesburg to Jerusalem (editora Public Affairs, 288 páginas, US$26). É isto aí. Deus conversou consigo e decidiu criar um paraíso nas duas terras de Goodman. Nascido e criado na África do Sul, ele fez sua jornada de consciência e chegou a Israel aos 18 anos, em 1965. Apesar de sua beleza e riquezas naturais, a África do Sul se tornou inabitável para o jovem judeu de Johannesburgo devido ao sistema legalizado de racismo, o apartheid, do qual a comunidade judaica, em geral, era cúmplice. Com as distinções apropriadas, ele adverte agora que Israel corre o risco de, com a manutenção de territórios capturados na Guerra dos Seis Dias, gerar uma situação reminiscente do apartheid. Nas palavras de Goodman, são as memórias da "vida de um homem em duas nações divididas - o Estado de apartheid da África do Sul, e Israel, um país cujos conflitos religiosos e raciais ameaçam torná-lo um estado de apartheid". Mas o livro não é apenas um grito rasgado sobre um estado de coisas que pode destruir Israel por dentro. É também um relato fascinante escrito por um dos grandes repórteres da língua inglesa em Israel e que viveu nas proximidades dos eventos decisivos e das mais importantes figuras do país. Como jornalista, Goodman cobriu a visita de Anuar Sadat a Jerusalém em 1977, a invasão do Líbano em 1982 e as negociações de paz dos anos 90. Ele entrevistou Yitzhak Rabin poucos dias antes do seu assassinato em 1995. Seu momento mais crucial e de uma guinada foi a guerra de Yom Kippur, em 1973. Como a maioria dos israelenses, incluindo os jornalistas, Goodman aceitava o "conceito" de que Israel era tão forte e os árabes tão fracos que uma nova guerra seria inconcebível. Com a transparência que marca suas memórias, Goodman disse que mais tarde ficou "horrorizado" com os despachos que escreveu da frente de batalha. Nas palavras dele, "eu escrevia sobre o Exército como se fosse uma vaca sagrada, algo que ninguém ousava questionar". O grande alvo da amargura de Goodman é Ariel Sharon, acentuada com seu papel como ministro da Defesa durante a invasão do Líbano em 1982, que, de acordo com o livro, mentia até para o primeiro-ministro Menachem Begin sobre o alcance, prazo e custo da campanha militar, a primeira que dividiu a opinião pública israelense. Goodman escreveu um texto no Jerusalem Post com o título Dúvidas no Front. O porta-voz de Sharon, Uri Dan, telefonou furioso de madrugada e ameaçou: "Nós vamos te pegar, bastardo". Na sequência, Goodman revelou que Sharon soubera do massacre dos palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, dois dias antes do que alegara na comissão de inquérito. Uri Dan foi profético. Disse que aqueles que não queriam Sharon como ministro da Defesa, precisariam aturá-lo como primeiro-ministro. Sharon, o patrono do movimento dos colonos judeus nos territórios palestinos , hoje é movido pelo plano de retirada unilateral de Gaza. Cínico, beirando os 60 anos, Goodman escreveu que "há aqueles que argumentam, provavelmente corretamente, que Sharon quer cair fora de Gaza para manter a maior parte da Cisjordânia". Nem todos irão concordar com as opiniões ácidas de Hirsh Goodman. Ele também dispara contra o "outro lado", denunciando uma zona de promiscuidade que engloba críticas a Israel e anti-semitismo. Ele ficou chocado quando em uma recente visita à Africa do Sul, viu uma conferência internacional sobre racismo se transformar em um festival antijudaico. Goodman escreve que "existem componentes racistas em Israel, mas a sociedade não é racista. Eu entendo disto, porque vim deste tipo de sociedade". Apesar da amargura, há uma pontada de esperança em Goodman. Ele acredita que israelenses e palestinos amadureceram a tal ponto que "haverá um processo de paz mais lento, porém mais saudável" do que o anterior. |
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