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Ex-estrategista de Bush critica unilateralismo da política dos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Richard Haass não é um crítico marginal da política externa americana. Ele é de dentro, integrante de um establishment, cujas figuras fazem parte do governo ou fazem recomendações ao governo. No primeiro mandato de George W. Bush, Haass cuidava de estratégia no Departamento de Estado. Partiu com Colin Powell e agora é presidente do prestigiado Council on Foreign Relations, em Nova York. E ele não perdeu tempo e oportunidades para criticar os rumos da política externa americana. Em conferências, artigos e agora neste livro, Haass adverte que os EUA "desperdiçaram uma "oportunidade histórica sem precedentes para organizar o mundo de forma a lidar com os desafios da globalização". Trocando em miúdos, Bush está pagando pelo unilateralismo porque os americanos "não podem simplesmente dirigir o mundo sozinhos. Nós não temos os recursos". Na advertência sistemática de Haass, a ênfase no unilateralismo ameaça a própria segurança nacional americana. Haass bate na tecla de que o cenário Iraque não pode ser repetido. Para ele, os EUA têm mais a ganhar em negociações e consultas com outras potências, e em certa medida também com os "Brasils, Áfricas do Sul, Nigérias e Indonésias do mundo", em questões como proliferação de armas nucleares, terrorismo, prevenção de novos genocídios e comércio. As recomendações de Haass têm um certo tom determinista. Ele garante que de alguma forma ou de outra a administração Bush será forçada a recorrer ao multilateralismo nas crises nucleares do Irã e Coréia do Norte. É um determinismo que reflete o alinhamento de Haass com uma das correntes do establishment americano. Haass integra a corrente "realista", aquela mais cética do fervor pró-mudanças de regime esposado pelos neoconservadores. Esta cruzada idealista está em alta neste começo do segundo mandato de Bush e os "realistas" foram à carga para advertir sobre os seus perigos e limites. O livro de Haass faz parte desta ofensiva. A prioridade dele não é derrubar os aiatolás de Teerã ou os stalinistas de Pyongyang, mas impedir que tenham armas nucleares. Os realistas se preocupam com a ênfase nas ferramentas militares e insistem que os EUA devem buscar coordenação com outras potências para atingir seus interesses. Para críticos como Haass, diplomacia criativa pode ser mais construtiva do que ação militar. Mas nas crises da Coréia do Norte e Irã, ele vê uma postura "diluída". O governo Bush carece tanto de incentivos para dissuadir os dois países a abrir mão dos seus programas nucleares, como de um pacote persuasivo de penalidades. Há relutância para investir nas negociações multilaterais, mas aversão a cenários de intervenção militar em larga escala, em especial devido ao custo da operação Iraque. O realismo de Haass não deve ser confundido com apaziguamento. Ele apóia uma abordagem diplomática na crise coreana, mas escreve que os EUA não devem descartar o uso de força, deixando claro para o governo de Kim Jong Il que qualquer retaliação a ataques contra suas instalações nucleares "vai levar a uma guerra que irá terminar com mudança de regime". THE OPPORTUNITY |
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