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Atualizado às: 13 de maio, 2005 - 17h00 GMT (14h00 Brasília)
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McNamara adverte para um cenário de apocalipse nuclear

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Proliferação nuclear mete medo. Coréia do Norte, Irã e a lista vai espichando. Robert McNamara entende dessas coisas de apocalipse, agora e sempre. Foi secretário da Defesa dos EUA (1961-68) na época da Guerra do Vietnã, aquela que inspirou o wagneriano filme de Stanley Kubrick.

Os conselhos de McNamara ajudaram o presidente John Kennedy em 1962 a evitar uma catástrofe nuclear na crise dos mísseis soviéticos em Cuba.

McNamara tem preocupações presentes com o perigo nuclear. E num artigo meticuloso e passional na edição corrente da publicação Foreign Policy, com o título sintomático Apocalipse Logo, ele explica quais são.

O foco dele não são os suspeitos habituais tentando forçar a entrada no clube nuclear, mas o sócio fundador.

McNamara acredita que os EUA não deveriam mais depender de armas nucleares como uma ferramenta de política externa. Ele reconhece que seu palpite pode soar simplista e provocativo, mas mesmo assim caracteriza a política nuclear americana como "imoral, ilegal, militarmente desnecessária e terrivelmente perigosa".

Risco

A base do argumento é o risco "inaceitavelmente alto" de um lançamento acidental ou inadvertido. É um cenário grave porque o governo Bush sinalizou o seu compromisso de manter o arsenal nuclear como pedra de toque do poderio militar americano, o que não contribui para conter a proliferação nuclear no planeta.

O engenheiro McNamara tem aquela fixação previsível com os números. Ele detalha no artigo que uma "típica ogiva nuclear americana tem um poder destrutivo 20 vezes maior do que o da bomba de Hiroxima".

Das 8 mil ogivas ativas ou operacionais, 2 mil podem ser lançadas com um aviso de 15 minutos. O presidente americano precisa de autorização do Congresso para declarar guerra, mas pode provocar um holocausto nuclear após deliberar por alguns minutos com seus assessores.

McNamara considera plenamente razoável o esforço do governo Bush para frear as ambições nucleares da Coréia do Norte e do Irã, mas ele lembra que, em meio à reunião em curso nas Nações Unidas com diplomatas de mais de 180 países para avaliar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, a atenção deve ser dirigida também aos EUA.

Afinal, a "perigosa obsessão" americana para manter um vasto arsenal nuclear denota falta de interesse na sua eliminação. Mais do que isto, a disposição dos EUA para modernizar seu arsenal levanta sérias dúvidas do porquê outros países terem de controlar suas ambições nucleares.

O cenário apocalíptico ganha contornos na ausência de mudanças na política nuclear americana. Se o curso for mantido, McNamara adverte, deverá ocorrer uma "proliferação substancial" ao longo do tempo.

E ele cita países como Egito, Japão, Arábia Saudita, Síria e Taiwan. Esta disseminação irá reforçar a possibilidade de armas e material físsil caírem nas mãos de Estados delinqüentes ou de terroristas.

Para impedir o cenário de "apocalipse logo", McNamara conclui que é preciso caminhar para a "eliminação ou quase eliminação de armas nucleares".

Em alguns círculos conservadores, McNamara é descartado como um pensador excêntrico ou um mero funcionário público aposentado. Mas seus argumentos cerebrais e passionais merecem ser levados em consideração, em particular a advertência de que nada é mais perigoso do que se aferrar a estratégias do passado para enfrentar os problemas do presente e do futuro.

66Londres
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