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Livro de assessor do Pentágono sugere parceria EUA-Irã | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em mais um artigo com revelações sensacionais (e sensacionalistas, para os críticos), o jornalista investigativo Seymour Hersh escreve nesta semana na revista New Yorker sobre ações clandestinas americanas no Irã. Mas o artigo também destaca o triunfo do Pentágono sobre a CIA em batalhas burocráticas sobre o controle de operações secretas e de análises estratégicas. É um bom momento para ler o livro de Thomas Barnett, um analista estratégico que presta assessoria ao Pentágono, que mobilizou os seus altos oficiais para travarem contato com as teorias deste ex-professor do Colégio de Guerra Naval. O livro busca repensar a estratégia para o mundo pós-Guerra Fria e pós-11 de setembro. Barnett divide o mundo de hoje em duas categorias: o Núcleo de nações conectadas à economia global – que estão prosperando como nunca – e os países em um Fosso, que estão desconectados da riqueza e progresso e, portanto, girando como peões na direção do caos. O conceito do livro foi simples. Barnett localizou no mapa as 150 situações em que os americanos despacharam forças militares para o exterior desde o final da Guerra Fria para se engajarem em situações instáveis ou perigosas. As regiões que tendem a atrair estas interferências são as menos conectadas à economia global. O argumento do livro é que, caso Washington não queira viver esta situação de intervenção permanente, deve então batalhar para conectar o Fosso ao Núcleo. 'Desconexão' Nas palavras de Barnett, o inimigo "não é nem uma religião (o islamismo) nem um lugar (o Oriente Médio), mas uma condição – a desconexão". Ele não considera os Estados Unidos como uma espécie de xerife neo-imperialista. O objetivo é promover regras do jogo aceitáveis tanto no Núcleo como no Fosso. Há uma ressalva. Para Barnett, as regras devem ser oferecidas e não impostas. Por ora, o livro está sendo imposto nos vários postos militares americanos, inclusive para aqueles responsáveis pelo Pacífico e América Latina. Barnett foi convocado para dar palestras aos novos generais de uma estrela e, com tantos oficiais comprando o livro, a venda já superou 50 mil exemplares. Barnett considera a invasão do Iraque um acerto estratégico, mas um desastre tático. Ele esperava que o país emergisse como um pilar de estabilização local, mas já não acredita que o papel possa ser cumprido devido ao fiasco do pós-guerra. Ele visualiza o Irã como uma ponte no Oriente Médio entre o Núcleo e o o Fosso e defende a idéia de que o governo americano deva tornar o regime de Teerã o seu parceiro para garantir estabilidade na região, inclusive aceitando sua hegemonia em um Iraque liderado pelos xiitas. O conselho de Barnett é para Washington não comprar uma briga (e muito menos ir à guerra) em razão do projeto nuclear iraniano. Diz que a ambição de Teerã era previsível, especialmente pela situação geográfica do país. Está entre o Afeganistão e o Iraque, países invadidos e ocupados pelos EUA. Para Barnett, é possível para os EUA cooptarem o Irã diante de alguns interesses estratégicos similares na região. Uma outra grande questão estratégica é a ascensão da China. Para Barnett, os americanos devem olhar para os chineses da mesma forma que os EUA foram olhados pelos britânicos nas primeiras décadas do século 20. Ele conclui que a China deve ser vista como uma superpotência emergente a ser cooptada e não confrontada. Barnett pensa grande e como acontece com mapas estratégicos do gênero é muito esquemático. Ele está aí para ser lido pela tropa do Pentágono, não para ser necessariamente seguido. THE PENTAGON'S NEW WAR |
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