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Livro diz que ataque preventivo ao Irã seria um erro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Kenneth Pollack é um exímio navegador nas águas do Golfo Pérsico. Hoje é pesquisador acadêmico, mas foi o responsável pela turbulenta região no Conselho de Segurança Nacional do governo Clinton. Por seu distanciamento do governo Bush, seu livro sobre o Iraque publicado há dois anos ganhou um voto de confiança intelectual. Naquele livro, A Tempestade Ameaçadora, Pollack cerrou fileiras com a linha-dura da Casa Branca e argumentou com eloqüência que a guerra preventiva contra Saddam Hussein era justificável. Hoje Pollack lamenta o que defendeu. Diz que errou nos argumentos, que foram elaborados com base em falhas da inteligência sobre o suposto programa de armas de destruição em massa do Iraque. Ele volta à carga agora com um novo livro sobre a região. Desta vez o foco é o Irã. E desta vez Pollack argumenta contra um ataque preventivo, em meio ao ceticismo dos "falcões" de Washington de que as negociações sobre o programa nuclear iraniano empreendidas por países europeus são ingênuas e adiam um confronto inevitável. O Irã estará no topo da agenda no segundo mandato de Bush, e Pollack se diz preocupado com a falta de uma política consistente para encarar o desafio. Para ele, os desdobramentos no Iraque contribuem com quatro lições: 1) Pollack adverte contra a leviandade de pressionar por uma mudança de regime em Teerã. É a tal história: o vice-presidente americano Dick Cheney previu que os iraquianos iriam receber com flores as tropas americanas porque odiavam Saddam Hussein. Não foi bem assim. Pollack diz que há boas evidências de que a maioria dos iranianos quer o fim da revolução xiita. Isto não significa que estejam prontos para uma insurreição. Mais do que isto, uma intervenção americana iria apenas acirrar as paixões nacionalistas. 2) Não há opções militares atraentes. Uma solução diplomática deve ser vista como preferencial. O Iraque é uma clara lição das dificuldades no pós-guerra. E como seguem enfronhados no Iraque, os americanos não podem se dar ao luxo de serem militarmente multilaterais. No caso iraniano, a Guarda Revolucionária poderia arquitetar uma resistência mais potente do que os rebeldes no Iraque. Ataques cirúrgicos contra instalações nucleares iranianas, ao estilo do que Israel fez no Iraque em 1981, tampouco são uma alternativa promissora. 3) Uma abordagem multilateral pode produzir resultados onde um curso unilateral tem uma grande chance de fracassar. Para Pollack, se os americanos e seus aliados querem concessões do regime dos mulás, como a suspensão do programa nuclear, devem seguir um caminho que combine recompensas e punições. Por exemplo, mais acesso a instalações nucleares irá resultar em benefícios comerciais. Em contra-partida, passos de Teerã na direção errada irão resultar em duras sanções. Para a abordagem funcionar, é vital uma estratégia coerente e multilateral. 4) E, finalmente, Pollack explica que é muito mais fácil conseguir a adesão internacional a medidas punitivas se existe uma decisão antecipada sobre o que irá colocar o processo em marcha. Aqui novamente é o caso de uma sólida engenharia diplomática para evitar o desastre no Conselho de Segurança da ONU antes da invasão do Iraque. Para Pollack, a rota que o governo Bush escolher para lidar com a crise iraniana será um "teste definitivo para a liderança dos EUA". Assim como ele, Pollack espera que, no segundo mandato, o presidente aprenda com os erros cometidos no Iraque. The Persian Puzzle |
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