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Livro detalha risco de ataque nuclear aos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na ferina campanha eleitoral, George W. Bush e John Kerry tiveram poucos pontos de consenso. Um dos raros foi assustador. O republicano vitorioso e o democrata derrotado concordaram no primeiro debate presidencial que o maior perigo individual que ameaça os EUA é a proliferação nuclear. Bush e Kerry não entraram nos detalhes e preferiram recorrer ao eufemismo "proliferação". A tarefa pesada ficou a cargo de Graham Allison, que vai diretamente ao assunto em um livro intitulado Nuclear Terrorism (Terrorismo Nuclear). Professor da Universidade de Harvard e ex-subsecretário de Defesa no governo Clinton, Allison é um dos papas acadêmicos na árida e medonha questão da estratégia nuclear e um dos maiores especialistas mundiais no estudo da crise dos mísseis em Cuba, em 1962, que quase provocou um confronto nuclear entre americanos e soviéticos. Mas o foco de Allison é o presente. A introdução do livro começa de forma aterradora. Em 11 de outubro de 2001, exatamente um mês após os atentados no World Trade Center e no Pentágono, a CIA recebeu uma informação não corroborada de que militantes da rede Al-Qaeda estavam em Nova York com uma bomba nuclear de 10 quilotons que eles tinham roubado da Rússia. Menos potente do que a bomba de Hiroshima, o artefato destruiria grande parte de Manhattan e em um dia de semana mataria 500 mil pessoas. Allison relata que a CIA considerou plausíveis as informações de sua fonte. Afinal, a Rússia reportara o sumiço de material nuclear e a agência de inteligência captara o “zum-zum-zum” da Al-Qaeda sobre uma "Hiroshima americana". O presidente Bush despachou especialistas para Nova York para buscar o artefato, mas para evitar pânico a Casa Branca não avisou ninguém na cidade, nem o prefeito Rudy Giuliani. Alarme falso, mas suficiente para Allison fazer o seu alerta em uma linguagem cativante. Os cinco primeiros capítulos têm exatamente a tarefa de sacudir o leitor sobre a gravidade da ameaça. Há um tom de inevitabilidade (título da primeira parte do livro), ou seja, a questão não é se vai acontecer, mas quando. Os suspeitos habituais são Irã, Coréia do Norte, Paquistão e Rússia, país onde está depositada tanta sucata nuclear. Num dos estudos citados por Allison, são 80 mil armas "pobremente controladas e pobremente armazenadas" na ex-União Soviética. Apesar da pendência do Brasil com a Agência Internacional de Energia Atômica sobre a planta de Resende, o país nem consta do índice do livro. A primeira parte do livro faz o que pode para nos persuadir que um 11 de setembro nuclear é inevitável. A segunda parte enumera o que pode ser feito para evitar o tal do inevitável. Mas vale repetir que a missão de Allison é alarmar didaticamente. O final do livro traz 11 páginas com as perguntas (e respostas) mais freqüentes sobre a questão nuclear, além de dicas sobre como buscar informações na internet. Na aposta de Allison, salvo radicais medidas antiproliferação, a chance de um ataque terrorista nuclear no mundo nos próximos dez anos é de 51% a 49%. NUCLEAR TERRORISM Graham Allison Times Books/Henry HOlt, 263 páginas, US$ 24 |
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