BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 05 de novembro, 2004 - 23h06 GMT (20h06 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Livro detalha risco de ataque nuclear aos EUA

News image
Na ferina campanha eleitoral, George W. Bush e John Kerry tiveram poucos pontos de consenso. Um dos raros foi assustador.

O republicano vitorioso e o democrata derrotado concordaram no primeiro debate presidencial que o maior perigo individual que ameaça os EUA é a proliferação nuclear.

Bush e Kerry não entraram nos detalhes e preferiram recorrer ao eufemismo "proliferação".

A tarefa pesada ficou a cargo de Graham Allison, que vai diretamente ao assunto em um livro intitulado Nuclear Terrorism (Terrorismo Nuclear).

Professor da Universidade de Harvard e ex-subsecretário de Defesa no governo Clinton, Allison é um dos papas acadêmicos na árida e medonha questão da estratégia nuclear e um dos maiores especialistas mundiais no estudo da crise dos mísseis em Cuba, em 1962, que quase provocou um confronto nuclear entre americanos e soviéticos.

Mas o foco de Allison é o presente.

A introdução do livro começa de forma aterradora.

Em 11 de outubro de 2001, exatamente um mês após os atentados no World Trade Center e no Pentágono, a CIA recebeu uma informação não corroborada de que militantes da rede Al-Qaeda estavam em Nova York com uma bomba nuclear de 10 quilotons que eles tinham roubado da Rússia.

Menos potente do que a bomba de Hiroshima, o artefato destruiria grande parte de Manhattan e em um dia de semana mataria 500 mil pessoas.

Allison relata que a CIA considerou plausíveis as informações de sua fonte.

Afinal, a Rússia reportara o sumiço de material nuclear e a agência de inteligência captara o “zum-zum-zum” da Al-Qaeda sobre uma "Hiroshima americana".

O presidente Bush despachou especialistas para Nova York para buscar o artefato, mas para evitar pânico a Casa Branca não avisou ninguém na cidade, nem o prefeito Rudy Giuliani.

Alarme falso, mas suficiente para Allison fazer o seu alerta em uma linguagem cativante.

Os cinco primeiros capítulos têm exatamente a tarefa de sacudir o leitor sobre a gravidade da ameaça.

Há um tom de inevitabilidade (título da primeira parte do livro), ou seja, a questão não é se vai acontecer, mas quando.

Os suspeitos habituais são Irã, Coréia do Norte, Paquistão e Rússia, país onde está depositada tanta sucata nuclear.

Num dos estudos citados por Allison, são 80 mil armas "pobremente controladas e pobremente armazenadas" na ex-União Soviética.

Apesar da pendência do Brasil com a Agência Internacional de Energia Atômica sobre a planta de Resende, o país nem consta do índice do livro.

A primeira parte do livro faz o que pode para nos persuadir que um 11 de setembro nuclear é inevitável.

A segunda parte enumera o que pode ser feito para evitar o tal do inevitável.

Mas vale repetir que a missão de Allison é alarmar didaticamente.

O final do livro traz 11 páginas com as perguntas (e respostas) mais freqüentes sobre a questão nuclear, além de dicas sobre como buscar informações na internet.

Na aposta de Allison, salvo radicais medidas antiproliferação, a chance de um ataque terrorista nuclear no mundo nos próximos dez anos é de 51% a 49%.

NUCLEAR TERRORISM

Graham Allison

Times Books/Henry HOlt, 263 páginas, US$ 24

25 anos depois
Veja fotos da tomada de reféns americanos no Irã.
Bandeira iraquianaIraque Pós-Saddam
Leia reportagens e análises sobre a transição de poder.
Eleitor de Bush passa a noite em centro republicano à espera do resultadoEm fotos
Veja imagens do dia que definiu as eleições dos EUA.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade