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Memórias de ex-porta-voz de Bush é briefing sem informação | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ari Fleischer, o ex-porta-voz do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, escolheu um momento curioso para publicar suas memórias, recheadas de reclamações sobre o suposto viés liberal da imprensa que, na prática, segundo ele, significa hostilidade ao governo republicano. Um tal de James Guckert foi desmascarado. Ele era o pseudo-repórter que, com o codinome Jeff Gannon, fazia as perguntas amaciadas ao presidente nas entrevistas coletivas na Casa Branca. Comentaristas conservadores na folha de pagamentos do governo também foram desmascarados, e esta semana se confirmou que 20 ministérios e agências federais entopem emissoras locais de televisão com "infomerciais". O presidente disse que considera o procedimento normal, legal e que ele deve continuar. É claro que políticos preferem "infomerciais" a repórteres agressivos, embora sempre saudando a imprensa livre, como Bush fez questão de fazer no mês passado ao lado do seu colega Vladimir Putin, em uma oportunidade de ouro para dar uma espetada nos russos. Mas o presidente americano nutre uma antipatia especial pelo corpo de correspondentes na Casa Branca, evitando ao máximo entrevistas coletivas ou exclusivas. Propaganda Sempre sobra muito para o porta-voz, e Fleischer foi a face pública do governo em momentos dramáticos como os atentados de 11 de setembro, a invasão do Afeganistão e o começo da guerra do Iraque. No jargão dos jornalistas políticos, Fleischer era particularmente infatigável para despejar a "mensagem", ou seja, muita propaganda e pouca informação. Ele admite que grande parte do seu trabalho (como o de qualquer porta-voz) é se esquivar de perguntas incômodas, mas desmente (que, aliás, é uma das expressões mais abusadas no métier) que o briefing na Casa Branca seja uma completa perda de tempo. Fleischer rebate que o desperdício em parte é culpa dos próprios jornalistas, que adoram posar com perguntas agressivas ou "pegadinhas" quando o briefing é televisionado. E, de fato, Mark Knoller, o setorista na Casa Branca da rádio CBS, deixou de comparecer aos briefings televisionados, alegando estar frustrado com as perguntas e as respostas. Knoller prefere o briefing matutino, mais informal e sem câmeras. Sobre o constrangimento de ter martelado a imprensa nos seus briefings com "fatos indiscutíveis" sobre o programa de armas de destruição em massa de Saddam Hussein, Fleischer agora se esquiva com a resposta clássica. Ele lembra que não apenas a administração Bush, mas o governo Clinton e vários países europeus, a começar por França e Alemanha, também acreditavam na existência do arsenal. Para Fleischer, o papel do porta-voz é fazer pronunciamentos com base na melhor informação disponível. Caso o dado se revele falso, a responsabilidade do porta-voz é aprender com os erros. Infatigável na "mensagem", Fleischer diz que, apesar do erro de informação, a guerra no Iraque foi um acerto. Algo que Fleischer nunca aprendeu no pódio da sala de imprensa da Casa Branca foi despejar sua mensagem com humor. Ele não deve passar à história por seu desempenho memorável. Há um momento inesquecível. Logo após os atentados de 11 de setembro, o comediante Bill Maher fez uma piada politicamente incorreta para a ocasião. Fleischer advertiu que todos os americanos deveriam tomar cuidado com o que diziam. Assim falou o porta-voz. TAKING HEAT |
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