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Coletânea de cartas mostra atualidade de Alistair Cooke | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A voz de Alistair Cooke era familiar para milhões de americanos. O lendário jornalista britânico era o eloquente mestre-de-cerimônias de finíssimos programas culturais importados de sua terra natal na rede pública de televisão PBS. Outros americanos, assim como ouvintes em todas as partes do mundo, tinham o privilégio de escutar os ensaios semanais de Cooke na rádio BBC, permeados de erudição, ecletismo e idiossincrasia. Agora, todos podem ler a coletânea de suas "cartas da América", publicada um ano após a morte daquele que muitos obituários consideravam um sucessor do francês Alexis de Tocqueville, na galeria de grandes observadores estrangeiros da vida americana. O comentário semanal de 15 minutos começou a ser transmitido em março de 1946 e durou até a aposentadoria de Cooke em fevereiro de 2004, um mês antes de sua morte aos 95 anos. No total foram 2.869 cartas, extraídas da máquina de escrever Royal. Cooke escrevia geralmente no seu apartamento em Manhattan, com vista para o Central Park. Ele perambulava, mas sempre sabia onde queria chegar. Um dia a divagação podia ser sobre o cotidiano. Noutro, a respeito dos contornos da política americana. Cooke escrevia perfis de celebridades como o boxeador Joe Luis ou de anônimos imigrantes. A primeira carta foi sobre os soldados americanos que regressavam para casa, da Segunda Guerra Mundial. A última lembrou os ouvintes que Bill Clinton poderia ter invadido o Iraque caso não tivesse sido vitimado pelo escândalo Monica Lewinski. ""Quando Clinton estava pronto para mobilizar uma força americana ou aliada, ele não possuía a autoridade moral para invadir Long Island". Cooke conhecia os presidentes americanos desde Franklin Roosevelt. Educado em Cambridge, Yale e Harvard, ele se tornou em 1938 o principal comentarista da BBC para questões americanas. Três anos depois, decidiu se tornar cidadão americano, mas sempre foi uma ponte cultural transatlântica, amigo de Leonard Bernstein, Philip Larkin, Humphrey Bogart, Charlie Chaplin e Katharine Hepburn. Estes são alguns dos personagens evocados nesta compilação. Nascido em Salford, Cooke estava dentro e fora do país que adotara. Esta condição lhe conferia uma perspectiva singular para entender a vida americana. Na carta de 16 de outubro de 1969, ele disse que em um país tão vasto como os EUA, onde os Estados têm poderes quase que absolutos e os habitantes vieram de países tão variados, o que é "impressionante não é o conflito, mas a trégua entre eles". Cooke via as divisões americanas com fleugma britânica. Sua afeição pelos EUA não significava deslumbramento. Uma das suas primeiras cartas, transmitida em 6 de maio de 1946, não precisa de muita atualização. Aos ouvintes da BBC, Cooke disse que os "americanos não são muito bons para perceberem os verdadeiros elementos da cultura de um outro povo...Se os americanos tiverem que governar um grande número de estrangeiros, você pode esperar que eles sejam sejam odiados antes de serem admirados". O recado de Alistair Cooke vive nas suas cartas. LETTER FROM AMERICA: 1946-2004 |
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