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Primeira Impressão: Livro com denúncias contra Hillary divide a direita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nos dias tempestuosos do escândalo Monica Lewinsky e da campanha pelo impeachment do presidente democrata Bill Clinton, a então primeira-dama Hillary Clinton denunciava uma "vasta conspiração de direita" para derrubar o seu marido. Hoje muita gente está mobilizada para impedir que a agora senadora por Nova York volte à Casa Branca, desta vez como presidente, caso ela, como é a expectativa geral, concorra nas eleições de 2008. A mobilização é vasta, mas nem toda direita concorda com os golpes sujos, seja por escrúpulos, seja por razões táticas. O objeto de discórdia entre os conservadores é o lançamento do livro de Edward Klein, que se dá ao luxo de publicar todo tipo de lixo sobre Hillary Clinton. Controvérsia vende. Na terça-feira passada, dia do lançamento, "A Verdade sobre Hillary"' já estava em terceiro lugar na lista de best-sellers da Amazon.com. A primeira impressão tem 350 mil exemplares. Autor prolífico (este é seu quinto livro em nove anos), ex-editor no jornal New York Times e na revista Newsweek (o que o leva a se definir como "independente"), Klein admite que está em campanha para impedir que Hillary chegue à Presidência, por considerá-la paranóica ao estilo Nixon e que fará qualquer coisa ilegal para destruir os inimigos. Monica Lewinsky Opiniões iradas sobre Hillary como uma mullher implacável e ambiciosa não são novidade e o livro de Klein recicla rumores anônimos dos anos 90 ou faz ilações ultrajantes com base em fofocas. Uma das principais alegações é que Hillary soube da relação do marido com a estagiária Monica Lewinsky dois anos antes que fosse publicamente revelada. A fonte é um anônimo funcionário do Partido Democrata. Para provar que Hillary bate sem piedade, Klein diz que na quinta série da escola ela acertou um soco no nariz de um garoto que dera para alguém o seu coelhinho. As histórias adultas são mais pesadas. De acordo com as fontes anônimas de Klein, Bill Clinton precisou "estuprar" a frígida Hillary para conceber a filha Chelsea e na faculdade ela aderiu "à cultura do lesbianismo". Alguns sites que se consagraram em atacar o casal Clinton desde os anos 90, como o Drudge Report, se deliciaram com as alegações de Klein. Mas outros descartaram o material, com o argumento que a saraivada é tão bizarra e vulgar, que fornece munição para Hillary e deixa de lado um debate mais substancial sobre sua posições politicas. Dentro do império jornalístico de Rupert Murdoch – um grande baluarte conservador – as divisões foram intrigantes. As páginas de fofocas do tablóide New York Post, território inóspito para o casal Clinton, questionaram o alegado lesbianismo. No canal Fox News, alguns apresentadores salivaram, mas o campeão de audiência Bill O'Reilly disse que não vai convidar Klein a aparecer no seu talk-show porque antes ele também se recusara a entrevistar a autora Kitty Kelley devido aos "ataques pessoais" no seu livro sobre o clã Bush. A controvérsia acalorada sobre o livro de Klein acontece em meio a um debate mais calculista sobre a viabilidade eleitoral de Hillary Clinton. O nome dela, claro, é sinônimo de polarização, mas forças conservadoras redobraram a ofensiva porque temem os hábeis lances politicos da adversária. Hillary hoje se esforça para ganhar pontos na banda de lá. Assumiu posicões mais moderadas em aborto, fala muito em Deus nos seus discursos e pode ser definida como "falcão" em política externa. No Senado, ela costurou acordos com republicanos que estiveram na linha de frente na campanha de impeachment do marido, nos tempos da "vasta conspiração de direita". A verdade é que nós ainda não vimos nada nas batalhas sobre Hillary Clinton. The Truth about Hillary Sentinel, 304 páginas, US$ 24,95 |
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