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Atualizado às: 29 de junho, 2005 - 08h57 GMT (05h57 Brasília)
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O fim das gravatas
Ivan Lessa
Pelo que eu tenho lido na imprensa britânica, parece que a gravata está com seus dias contados.

Como se dizia em minha época: já vai tarde.

O que há é que um alto servidor público, sir Andrew Turnbull, membro do gabinete de Tony Blair, ao se despedir de suas funções, declarou em discurso que via com bons olhos um futuro onde a gravata não teria papel nenhum a desempenhar no funcionalismo público.

Logo, logo, disse ele, todo mundo estaria indo para o trabalho de camisa aberta no peito.

Bem, não foi exatamente isso que ele declarou, mas, sem gravata, ou é col roulé ou é camisa aberta e ponto.

Sir Andrew não chegou a insinuar que uma camiseta, mesmo de grife, seria bem vista nas repartições mas, para um país onde os funcionários públicos praticamente usavam uniforme, a notícia continua a render.

O uniforme de funcionário público, até mais ou menos fins dos anos 60, era a calça cinza com listras brancas, meia e sapato preto, paletozão preto também, colarinho duro e gravata a mais sóbria possível.

Acompanhamentos obrigatórios: guarda-chuva, chapéu coco e pasta de couro surrada.

Se alguém se lembra de um personagem de tira em quadrinhos chamado Bristow, desenhada por Frank Dickens, é esse, é isso aí.

Lembremos ainda da sordidez da origem desse datado símbolo fálico.

Coisa de milico.

Gravata vem do francês “cravate”, ou seja, algo que os mercenários croatas usavam em torno do pescoço, talvez para assustar o inimigo.

A moda da gravata há muito que, entre as pessoas bem, nas artes ou sociedade, deixou de existir.

O teatrólogo de esquerdérrima, Harold Pinter, até onde se sabe, nunca usou uma gravata.

Tony Blair sempre que pode dispensa a gravata.

Bob Geldof e Bono, em sua insana guerra à pobreza, há décadas abandonaram o uso para eles burguês e indicativo de riquezas indevidas.

Continuarão a usar gravata apenas aqueles que dependem de nossa irracional confiança.

Sou a favor da abolição oficial da gravata, eu que só a usei uma vez nos últimos 25 anos, e assim mesmo porque era casamento de minha filha.

Cachecol e echarpe, apesar de também galicismos, tudo bem.

66Arquivo - Ivan
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