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Wimbledon: gritos e sussurros | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Torneio de Wimbledon em pleno funcionamento. Metrôs apinhados, na direção contrária de quem vem para o trabalho, entre 10 da manhã e 2 da tarde. Morangos com creme, uma tacita de champanhe para quem pode e, dizem, também uma pronunciada ausência de desodorantes. Tênis, e tênis na grama principalmente, é um esporte feito para a televisão. Meu primeiro torneio foi em 1969. Paixão à primeira partida televisada. Aquele silêncio, pontuado pelo ruído seco de bola em raquete, os comentários minimalistas, em inglês digno de palco shakespeariano, feitos pelo falecido narrador Dan Maskell, os uniformes branquérrimos, “Pôxa!” – exclamei para os botões de minha televisão – “esse troço é quase tão bom quanto torcer pelo Botafogo!”. E era mesmo e foi durante um bom tempo. Depois, como dizem os chatos de uma certa idade, o negócio foi para o beleléu, ou, melhor dizendo, virou tremendo negócio mesmo, passou a dar um dinheirão – e lá se foram os amadores que eu ainda peguei nas quadras, em geral australianos e baixinhos, feito Kenny Rosewall e Rod Laver, este último, por sinal, ruivo, o que dava um agradável colorido às partidas. De repente, começou a rolar gente que não acabava mais, vestida nas mais diversas cores e sob os mais altos patrocínios, tudo falando alto, reclamando dos juízes, com torcida própria urrando e agitando bandeiras, quase todos, claro, americanos, à vontade pra burro nesse mundo que é todo deles. Introduziram no tênis o grunhir. Que pode ou não ser acompanhado de saque, mas também pode vir no voleio ou simples momento de epifania. O grunhido foi introduzido no tênis pelo americano Jimmy Connors em 1974 e elevado à condição de arte por Mônica Seles. Chegou-se a medir a decibelagem dos tenistas. Mônica esbarrou nos 93,2 decibéis e a atual favorita da Marinha, digo, das torcidas de Wimbledon, Maria Sharapova, atinge sem esforço os 100 decibéis, um tiquinho a mais que as irmãs Venus e Serena Williams. O grunhido mais feio já ouvido em Wimbledon, ou qualquer quadra de tênis do mundo, grama, saibro ou asfalto, foi o do nosso querido Guga, o Gustavo Kuerten, que lembrava uma paca ferida de morte em seus estertores. Ah, sim. Os grunhidos não adiantam nada em matéria de potencializar saques. É tudo para perturbar adversários. |
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