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Atualizado às: 13 de junho, 2005 - 10h51 GMT (07h51 Brasília)
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A arte de perder
Ivan Lessa
Os britânicos têm a fama do fair play. Fama merecida. No que diz respeito ao tênis, porém, seja na grama ou no saibro, o fair play atinge alturas e quedas proporcionais à estratosfera.

Isso porque eles têm as mais belas e bem cuidadas quadras de grama, onde se realizam, todos os anos, um – se não “o” – torneio mais conhecido do mundo. Sim, claro, Wimbledon, que, por sinal, se avizinha.

Ora, se uma cidade, Londres, um país, o Reino Unido, têm o complexo esportivo tenístico inveja do planeta, nada mais natural que cidade e país produzam tenistas à altura dos campos, ou quadras, de ação.

Acontece que aí é que a lógica e seu penetrante olhar esverdeado entram pelo cano. O último campeão de tênis britânico foi Fred Perry, no longínquo ano de 1936. A última campeã foi mais recente, Virgínia Wade, em 1977, mas, mesmo assim, na conjuntura aqui apontada, é pouco, muito pouco.

Torcida

Agora, no que diz respeito a torcer, há que ser inventada toda uma série de taças a serem distribuídas todos os anos entre a mais que fiel torcida.

Uma torcida que não se cansa de aplaudir e incentivar, de todas as maneiras permitidas pelas regras do jogo e do bom senso, seus perenes concorrentes, a saber: Tim Henman, cognominado “O Tigre”, não se sabe se por ironia ou simples miopia aguda, e Greg Rusedski, que, cá entre nós, sem entrar em detalhes, é mais canadense do que outra coisa. Sua cidadania britânica data apenas de 1995, início de seu desfile de inesquecíveis derrotas.

Ambos já estão ficando velhinhos para a prática do nobre esporte. Nada os detém, porém, na implacável conquista, ou, melhor dizendo, obtenção da derrota.

Realiza-se, no momento, o campeonato Stella Artois, em outro clube-estádio de bela reputação, o Queen´s. Tanto Tim quanto Greg obedeceram à forma habitual: caíram fora antes das quartas-de-final.

Até o último momento, torcida no local, na TV e nos jornais quase que jurava que, desta vez, “a coisa ia”. Não foi.

Nem tudo está perdido. Surgiu agora o emocionante escocês Andrew Murray, de apenas 18 anos, que começou empolgando todo mundo e terminou à maneira de seus (possíveis) ídolos, Tim e Greg: perdendo feio e burramente.

Surge, do nada e para o nada, um valor novo.

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