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Famélica epopéia musical | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vai ser no dia 2 de julho. Em Londres, Paris, Roma, Berlim e Filadélfia. Cinco megarockshows destinados a chamarem a atenção do mundo para a pobreza africana. O nome da empreitada é Live 8, devido à proximidade com a reunião de G-8, a ter lugar em Edimburgo, entre 6 e 8 de julho. O objetivo é ativar a consciência do mundo, principalmente do mundo jovem, o da música rock. A idéia, claro, foi de "Sir", conforme é conhecido em meios irônicos, Bob Geldof, que, há 20 anos, em 1985, dedilhou as cordas de seu pinho a favor das vítimas da fome na África. Na época, dezenas de bandas, com seus três acordes e letras disléxicas, passaram para a história das lendas urbanas: foi o Live Aid. Mais velho, e não menos indignado, no decorrer de uma coletiva para lançar a cativante idéia, "Sir" Bob, com seus cabelos jogados para um só lado do rosto, como misteriosas algas marítimas apodrecendo e ocultando moluscos, peixinhos mortos e crustáceos, disse uns palavrões, deu murro na mesa e urrou que, agora, meninos e meninas, com suas guitarras, iriam colocar o mundo de volta nos eixos. Convocados para os diversos concertos: Elton John, Paul McCartney, Sting, e, entre dezenas de outros, só em Londres, o supra-sumo dos conjuntos, os modestos comandados de São Bono, o U2. Menos conhecidos, mas não menos caros em sua disponibilidade, "Sir" Bob quer que, depois dos concertos, todo mundo (um milhão de pessoas) marche para Edimburgo, na Escócia, protestar em massa. Os artistas marcharão também? Não creio. Lembremos que a população da simpática cidade escocesa é de apenas 450 mil pessoas. Autoridades policiais prevêem problemas. Problemas também entre um sem número de bandas africanas pelo fato de não estarem representadas num evento que diz respeito diretamente a elas. Dizem que "Sir" Bob fala de igualdade comercial e, no entanto, só há uma presença africana na plêiade de gênios musicais: o cantor senegalês Youssou N´Dour. Pedir para as pessoas não irem trabalhar e a garotada "matar" aula também não pegou bem com outras autoridades. Mesmo assim, o sonho de "Sir" Bob deverá, desta vez, se realizar: fazer da pobreza história, como reza, ora e prega o slogan da campanha. |
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