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Atualizado às: 18 de maio, 2005 - 13h11 GMT (10h11 Brasília)
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Novos tempos
Ivan Lessa
Há muito que já acabou aquela história de que inglês adora falar do tempo.

Passou junto com a mania de chamar britânico de inglês. Se não me engano, foi uma das muitas mudanças que vieram com os anos Thatcher.

Os britânicos falam de tudo. Principalmente no celular. O papo é dos mais desinteressantes. “O que é que você está fazendo?”, “Viu televisão ontem?”, “Reparou no horror que a Mandy resolveu botar em cima e chamar de vestido?” Isso é o que eles, ou no caso, elas, têm a dizer.

Os homens estão falando de coisas igualmente tolas, em geral sobre as mesmas mocinhas dos celulares a que acabei de me referir.

Ou então é informando que vão chegar atrasados na bolsa ou no apartamento que vão mostrar para um possível comprador.

Eu peço a palavra, já que sou imigrante, e, como num cartum antigão, venho falar do tempo.

O tempo mudou muito de uns tempos para cá. Para ser mais preciso – e a precisão é tão britânica quanto o tempo --, o tempo mudou muito desde segunda-feira, dia 16 de maio de 2005. Até domingo, 15 de maio, o tempo era assim: quando chovia as nuvens eram pretas e delas caíam umas gotinhas. Ou raio, caso fosse tempestade. Tempo bom e, no céu, um sol muito redondo emitindo uns tracinhos amarelos que eram, evidentemente, raios solares. Dentro do sol, um número em algarismo arábicos dando a temperatura: 10, 15, 18. Que é como anda a temperatura nesse início de primavera. Os ventos sopravam de uma bolinha preta com uma seta apontando a sua direção. Dentro da bolinha preta, a velocidade: 5, 10, 15, por aí.

Tudo isso acabou. É o progresso. A nova tecnologia. Essas coisas. O companheiro, ou a companheira, já terá percebido que estou falando do tempo conforme os homens e as mulheres do tempo, os meteorologistas, o dão nos diversos canais da BBC.

Agora é tudo na base de computador que proporciona quase que terceira dimensão e a chuva e o sol inundam ou banham estas ilhas conforme uma quase fiel representação. Do lado, as horas e o dia em que as mudanças observadas no mapa meteorológico ocorrerão.

Entra aí uma outra lenda interurbana: os ingleses (os britânicos, já disse!) detestam novidade. Detestaram. No primeiro dia. Depois voltaram a discutir o tempo, como nos cartuns do Zé do Boné. Depois voltaram para o ano 2005 e foram dizer suas bobagens nos celulares.

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