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Atualizado às: 11 de maio, 2005 - 11h57 GMT (08h57 Brasília)
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Amar é...
Ivan Lessa
“Amar é…” Daí vinha uma frase engraçadinha debaixo daquele desenho de um menino e uma menina, bem fornidos ambos, tendo ao fundo, se bem me lembro (e eu não me lembro bem de mais nada), um coração.

Saía num ou em tudo quanto é jornal. “Amar é… dar o seu último bombom Sonho de Valsa para ela”. “Amar é… fingir que torce pelo mesmo time dele”. E por aí afora, numa basbaquice sem fim.

Acho, mas não juro (e eu não juro mais nada), que, como tudo mais, era de origem americana, feito a Luluzinha e o Tio Patinhas.

“Amar é…” também tinha variações impublicáveis, irrepetíveis na companhia de pessoas de bem. Deve ter tido um “Amar é… ficar meio maluco e sair por aí fazendo besteira.”

Se não teve, deveria ter tido. Porque o amor, que já o sabíamos cego, é também uma loucura. E isso é oficial, já que científico.

Quem o diz e prova é o professor Semir Zeki, da University College, de Londres, que vem há tempos escaneando o cérebro das pessoas apaixonadas e, logo mais, ainda este ano, publicará o resultado de seus rigorosos estudos.

Não sei dizer (e eu não sei dizer mais nada) se o rechonchudo casalzinho do cartum “Amar é…” participou da escaneação generalizada. Fato é que o ilustre professor Zeki jura que o processo amoroso ativa regiões específicas do cérebro, ao mesmo tempo em que reduz sua atividade na estrutura que regulamenta seu sistema de compensações.

Em outras palavras: amar é quando desativamos nossa capacidade crítica. Amar é quando são suprimidas as partes do cérebro que respondem à oxitocina e à vasopressina – esses preciosos hormônios que nos ajudam a formar e manter relações.

Nosso querido (amá-lo… etc.) professor ainda não sabe, ou não quer, revelar a coisa toda, mas, ao que parece, a dopamina é o mais suspeito dos mediadores químicos que nos levam – como aquelas mulheres das velhas serestas do Orestes Barbosa – que nos levam à loucura.

O professor Zeki, em entrevista às agências, finaliza suas revelações num lugar-comum bestíssimo: sugere que as pessoas apaixonadas não devem tomar decisões apressadas.

Amar é… não deixar que ele ou ela leiam qualquer artigo dito científico publicado pelo professor Semir Zeki.

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