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Ivan Lessa: 'Vai ser bom, não foi?' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ato sexual... E eu dou uma meia-trava aqui para considerar o que acabei de dizer e escrever. O ato sexual. Três palavrinhas. Um monossílabo, seguido de um bissílabo e um trissílabo. Um, dois, três. Parece que vem aí uma mágica. Um arrepio coletivo cobre a seleta platéia. Na terceira fila da arquibancada, uma senhorita, ligeiramente antiquada, ruboriza, e sua pele se cobre de uma fina camada de suor. Houvesse uma duquesa, e ela seguramente pediria por seus sais. Estudo Disso e mais é capaz o sexo e suas artimanhas a fim de que a raça humana se perpetue. Após essas considerações banais, dou mais um gole no uísque com água de coco, apago o cigarrinho e volto (“Desculpe a demora”, digo para ninguém e todos) e volto ao... o ato sexual. O que há é que, nesta última semana de maio, está sendo publicado um estudo (mais um), em revista especializada, o Jornal de Sexo e Medicina, sobre os hábitos sexuais de cinco dos países, quatro dos quais... ahn, membros da Comunidade Européia. Sob a batuta (um óbvio objeto fálico) do dr. Marcel Waldinger, um neuropsiquiatra da Universidade de Utrecht, 500 casais com mais de 18 anos tiveram seus hábitos sexuais investigados durante quatro semanas. O que se queria saber era quem levava mais tempo no ato sexual, ou entretido nas artes de Cupido, se assim preferirem os mais pudicos. Cada casal levou emprestado um cronômetro (tiveram que devolver no fim da experiência; verba magra, né?) e o pedido de que medissem o tempo que levavam do começo ao fim da pouca-vergonha, conforme a chama aquela duquesa dos sais. Sem dúvida, é mais interessante do que concurso de canções da Eurovisão e até mesmo do jogo Arsenal contra o Manchester United. Os resultados Vamos lá. De uma maneira geral, a festança leva, ao todo, 54 minutos. Depois dos descontos e bateção de pênaltis, ganharam os britânicos: 7,6 minutos. Seguidos dos espanhóis, com 5,8 minutos e os holandeses, com 5,1 minutos. A surpresa da noite, ou do dia, foram os turcos: 3,7 minutos. Tsk, tsk, quem diria, hem? Diversas outras conclusões foram tiradas, todas secundárias: ninguém quer saber que música tocava ao fundo ou qual era o papo depois. Sabe-se, isso sim, que em nenhum país fez diferença o uso ou não de camisinha. Quanto à presença do cronômetro nas intimidades, o estudo se faz de bobo. |
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