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Atualizado às: 20 de junho, 2005 - 09h59 GMT (06h59 Brasília)
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Táxi preto
Ivan Lessa
Outro dia, eu conversava com um colega sobre as coisas que desapareceram de Londres.

Sou um chato em duas línguas e dois continentes. Falo em "no meu tempo" e estou sempre mirando para atingir o companheiro com um saudosismo bem entre os olhos.

Mencionei então algumas coisas que vêm desaparecendo de Londres. Enumerei o trivial-ligeiro.

Os bons modos das pessoas, as torrinhas vermelhas dos correios, as três entregas de cartas por dia, as vermelhas cabines telefônicas, os ônibus de dois andares, a praticamente inexistência do buzinar, o falar baixo, o preço das coisas e assim por diante até chegarmos ao que, para mim, sempre foi uma das mais gloriosas instituições londrinas: o táxi preto, mais conhecido como o London Black Cab.

Conforto

Nenhum carro mais confortável no mundo. Hoje, carro danado de caro também.

O táxi preto, em seu aspecto mecânico, apresenta particularidades que não tenho autoridade não só para defender como também enumerar.

Sei que eles transportam apenas cinco pessoas, sendo que dois num banquinho, de frente para as outras três, além de, é claro, bagagem.

Entre suas vantagens técnicas, sei que são capazes de dar uma volta de 360º em torno de uma moedinha de – vamos nostalgizar de vez a coisa – de uma moedinha de seis vinténs.

Voltando à vaca fria, conforme dizem os velhos bucólicos feito eu: no enumerar das decadências de Londres, reclamei do fato dos vastos, dos imensos táxis pretos terem, hoje em dia, o direito de vir em outra cor que não a preta e, o que é muito pior, horrendo mesmo, poder levar anúncio do lado de fora ou do lado de dentro.

Por que é que eu fui falar?! 24 horas depois do papo sobre o táxi preto, vim num que tinha – Santo Deus! – televisão dentro, dando ao freguês a chance de escolher entre seis estações, quase todas de notícias, mais uma dedicada inteiramente à companhia de táxi preto.

O motorista, o cabbie, como é chamado, continua a dirigir. São 20 mil e conhecem Londres como ninguém, já que esta é sua obrigação e profissão.

Mas seu lendário papo, supostamente pitoresco, está indo pra cucuia, digo mais uma vez demonstrando meu passadismo.

Gostaria de poder andar só a pé. Ou então ficar em casa. Também só.

66Arquivo - Ivan
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