|
Torcendo o pepino | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vazou e o Sunday Times desta semana deu: um relatório confidencial do Home Office (mas pode me chamar de Ministério do Interior) recomenda que as crianças comecem a ser objetivadas como criminosas em potencial desde a mais tenra idade. Não forço barra alguma em tacar aí o “tenra idade”. É tenra mesmo: a partir dos 3 anos de idade. Segundo o relatório, já no jardim-de-infância é possível identificar o futuro hooligan brutamontes, o safado imprensador dos mais fracos, o terror de policiais hoje também de calças curtas. Tem mais: o relatório sugere que é possível localizar o malandro mediante um estudo do índice de criminalidade em sua família imediata. Quais as medidas a tomar então? Simples. Aulas para os pais. Para os pais aprenderem a ser pais e saberem como lidar com os pequenos criminosos. Os professores e professoras do jardim-de-infância também teriam seu manual destinado a detectar o prodígio em peraltice. O relatório tem 250 páginas, intitula-se Resenha da Redução de Crime e, segundo o jornal, deve sua existência a instruções de Tony Blair, que, ao que parece, quer identificar as melhores maneiras de reduzir o crime até o ano de 2008. Tá certo. Se um garoto de 3 anos for identificado agora, em junho de 2005, em 2008 ele terá 6 anos e, presume-se, já dá para ter tomado jeito na vida ou então mandar para um reformatório dos bravos. A medida está ligada a um pacote no valor de perto de US$ 700 milhões destinado, pela secretaria da Educação, a proporcionar uma série de afazeres para os alunos entre as idades escolares dos 4 aos 14, que, segundo outros estudos, têm poucas horas de colégio por dia – dia, aliás, que, normalmente, começa às 9h e termina lá por volta das 15h. Com as novas medidas, o novo batente seria mais ou menos entre 8h e 18h, o que facilitaria muito a vida das donas e donos de casa. E, também, digamos a verdade, dá mais tempo para os “fessores” observarem a garotada e nela tentar reconhecer aqueles tais dos futuros – esta a única palavra – criminosos. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||