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Atualizado às: 24 de junho, 2005 - 09h08 GMT (06h08 Brasília)
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Bardos poderosos
Ivan Lessa
George Monbiot é jornalista, escritor, acadêmico ambientalista e, para fazer alguma coisa nas horas vagas, ativista político no Reino Unido.

Monbiot escreve uma coluna semanal imperdível no The Guardian. Na última terça-feira, ele comentou a atuação dos roqueiros Bob Geldof e Bono dentro desse quadro complicado, essa instalação das mais enganosas, a que chamamos de G-8, e que, agora em julho, deverá se reunir na Escócia para decidir os novos rumos que a pobreza mundial deverá seguir, se é que entendi bem a coisa.

Em seu artigo, Monbiot louva o envolvimento de Geldof e Bono na luta contra a pobreza. Diz não pôr em dúvida a sinceridade de seus motivos e enaltece o fato de que ambos, sem dúvida, asseguraram auxílio e redução nas dívidas no valor de alguns bilhões de dólares.

Adianta ainda que os dois mobilizaram a opinião pública no mundo inteiro chamando a atenção e mantendo na pauta política os problemas da África.

Seria bobagem não reconhecer este mérito, escreve Monbiot.

Daí então, no quarto parágrafo de seu artigo, o ambientalista e ativista aponta para um aspecto pouco notado. Segundo George Monbiot, o problema é que Bob Geldof e Bono assumiram o papel de árbitros.

Como se os dois é que decidissem, por nós, se os países do G-8 devem ser parabenizados ou condenados pelas suas decisões. Monbiot frisa que os dois músicos não estão qualificados para julgar isto.

E cita o exemplo do recente pacote, anunciado há 15 dias pelos ministros das finanças do G-7, ligando liberalização e privatização forçadas a uma possível redução nas dívidas.

Monbiot lembra que qualquer pessoa de bom senso sabe que isso não é bom e que Bob Geldof elogiou a medida designando-a como “uma vitória para milhões de pessoas que fazem campanha no mundo inteiro”.

George Monbiot prossegue, linha por linha, explicando porque se sente traído pelas recentes declarações e atitudes de Geldof e Bono, que, segundo ele, além do mais, tornam o trabalho dos ambientalistas ainda mais difícil.

Num resumo dos mais resumidos, George Monbiot, de forma eloquente e minuciosa, mostra como a supostamente filantrópica campanha de Bob Geldof e Bono, na verdade retrata os inimigos dos pobres como seus salvadores.

E finaliza dizendo que o que os dois fizeram de bom pode perder para o que fizeram de péssimo.

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