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Desigualdade oculta miséria na América Latina, diz Bird | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A pobreza na América Latina não é tão óbvia e se esconde atrás da desigualdade de muitos países, na avaliação dos organizadores do relatório "Indicadores de Desenvolvimento Mundial", emitido pelo Banco Mundial (Bird). “Na América Latina, a visibilidade (da pobreza) é muito menor do que em países que são claramente pobres”, disse o vice-presidente do Banco Mundial para Desenvolvimento Humano, Jean-Louis Sarbib. “Em Mali, por exemplo, não dá pra deixar de perceber que se está num país pobre. Mas se você vai para o Brasil ou a Argentina, esse fato não é óbvio”, afirmou. “Então nesses países é preciso medir também a desigualdade”, disse ele. Segundo Sarbib, 70% dos pobres do mundo vivem em países de renda média. Apesar de ter a maior renda per capita e a maior expectativa de vida entre as regiões em desenvolvimento, a América Latina está atrás das outras regiões nas metas para redução da pobreza, de acordo com o relatório do Banco Mundial. Entretanto, a região está atingindo os objetivos de desenvolvimento humano, à frente de outras regiões na redução da mortalidade infantil, acesso a água limpa para a população e igualdade entre homens e mulheres no acesso à educação. Crescimento econômico Um dos maiores desafios da região é o crescimento econômico. De acordo com o relatório, o número de pessoas vivendo com menos de US$ 2,00 por dia na região poderia cair de 128 milhões de 2001 para 122 milhões em 2015 se a renda per capita crescesse uma média de 2,4% ao ano. Nos anos 90, no entanto, o crescimento médio da região foi de apenas 1,5% ao ano. O crescimento de 5,7% no ano passado, o maior de 25 anos, deve ser visto com “otimismo cauteloso” na avaliação dos economistas do Banco Mundial. Eles alertam que apesar da redução do crescimento prevista para este e o próximo ano, a região deve aproveitar o momento de expansão para avançar na agenda de reformas estruturais, diminuindo as vulnerabilidades que impediram um crescimento sustentado no passado. Brasil Sarbib citou o Brasil como um exemplo de país que está agindo para mudar a situação social, a partir dos dados coletados pelo Banco Mundial. “Se tomarmos o exemplo do Brasil, eles tentaram mobilizar o programa Fome Zero e o Bolsa-Família, fizeram muitos esforços neste sentido.” Na reunião do Comitê de Desenvolvimento, o ministro (da Fazenda, Antonio Palocci) disse que o relatório do Banco Mundial sobre desigualdade os levou a pensar no que precisa ser feito para combater o problema. “O Brasil está bem situado em relação às metas e deve cumprir a maioria delas”, afirmou o ministro Palocci depois da reunião. “Mas muitos países mais pobres têm dificuldade em cumprir”, lamentou. A reunião do Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial foi a última antes da reunião de setembro na sede da ONU, em Nova York, quando todos os membros da organização vão discutir os progressos dos últimos cinco anos e novas fontes de financiamento dos projetos nos países mais pobres. |
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