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Comandante da ONU diz que situação no Haiti está sob controle | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O comandante da missão de estabilização da ONU no Haiti (Minustah), o general brasileiro Augusto Heleno Ribeiro, afirmou nesta terça-feira que a situação no país está sob controle - apesar da recente morte de dois soldados da força de paz em Petit-Goave, as primeiras baixas da força desde o início das operações no país, há cerca de dez meses. Segundo Augusto Heleno, em entrevista à BBC Brasil, os soldados liderados pelo Brasil estão cuidando de de grupos ilegais, que atuam criminosamente em todo o país. "E nós vamos continuar a pressionar esses grupos”, disse o general, negando uma mudança de estratégia para combater os rebeldes. “Há a continuidade de um programa estratégico que foi estabelecido por mim desde o início da missão. (…) De vez em quando há alguma impaciência e eles querem que resolvamos o problema de um país que se arrasta há duzentos anos em oito meses. Mas tudo o que está acontecendo está previsto e está sob controle.” Nos últimos dias, as forças da ONU, lideradas pelo Brasil, se envolveram em duros combates em duas cidades do interior do país, Petit-Goave e Terre-Rouge, onde retomaram delegacias de polícia que estavam sob controle dos rebeldes. “No caso desses dois comissariados (em Petit-Goave e Terre-Rouge) há algum tempo eles estavam ocupados, inicialmente inclusive por ex-militares na grande maioria”, explicou. “Então nós estávamos esperando uma oportunidade de que o país estivesse numa situação calma, como está há mais de 60 dias, para que nós pudéssemos atual pontualmente e recuperar esses dois comissariados.” Críticas A força de paz da ONU vem sendo criticada pela aparente lentidão em restabelecer a ordem no país e colocar em prática um programa amplo de desarmamento, o que estaria permitindo que os grupos formados por ex-militares – que perderam seus empregos quando as forças armadas haitianas foram extintas, em 1994 – continuem atuando no interior haitiano. Na segunda-feira, dois líderes dos rebeldes, Ramissainthe Ravix e Joseph Jean-Baptiste, convocaram o início de uma operação de guerrilha contra as forças da ONU. O general Heleno disse que é preciso fazer uma distinção entre ex-militares, que exigem o pagamento de soldos atrasados, e rebeldes que estão tentando desestabilizar o Haiti dizendo-se ex-militares. “Não há nenhuma intenção nossa de atacar ex-militares. Os ex-militares reconhecidamente, até pelo governo, devem ser tratados pelo diálogo, devem ser convencidos a se integrar num programa de desarmamento”, disse. “Esse senhor Ramissainthe Ravix, ele foi sargento das Forças Armadas, mas ele foi demitido antes da extinção das forças armadas. Então ele não tem as características dos ex-militares.” O comandante das forças da ONU no Haiti também disse que tem conhecimento da ameaça feita por Ravix e por Jean-Baptiste, mas ainda não tomou nenhuma decisão a respeito. “Estou aguardando aí para ver quais vão ser as conseqüências dessas declarações. Nós estamos tomando providências em termos de não sermos atingidos por esse tipo de ação.” Brasil As tropas brasileiras da ONU no Haiti concentram suas operações na capital, Porto Príncipe e não participaram da operação de domingo em Petit-Goave – que fica numa região sob responsabilidade das forças do Sri Lanka. “Na outra operação, em Terre-Rouge, nós apoiamos o Nepal porque essa é uma área de responsabilidade do Nepal. Nenhuma dessas duas operações foi em área de responsabilidade do Brasil”, disse o major Márcio Santos e Silva, da brigada brasileira. O major disse que as tropas brasileiras poderão participar de outras operações “seguindo ordens superiores”. “Essas coisas evoluem. Não tem nada hoje, eu não sei amanhã.” Em 2003, o Haiti começou a viver uma onda de instabilidade política em que rebeldes avançavam pelo interior do país tomando cidades e exigindo a renúncia do então presidente, Jean-Bertrand Aristide. Aristide acabou deixando o poder em fevereiro de 2004 e, desde então, o país tem sido governado por um governo interino. A previsão é de que o país realize eleições em novembro deste ano, mas episódios de violência colocam em risco esse cronograma. Na capital do país, simpatizantes do ex-presidente, que vivem em bairros pobres, realizam com freqüência manifestações exigindo a volta de Aristide, que vive no exílio na África do Sul e continua se considerando o legítimo presidente do país. |
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