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Atualizado às: 05 de março, 2005 - 21h01 GMT (18h01 Brasília)
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Saiba mais sobre o envolvimento da Síria no Líbano
Soldados sírios no Líbano
Atualmente há cerca de 15 mil soldados sírios no Líbano
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, anunciou que está remanejando as tropas sírias que permanecem no Líbano para o Vale de Bekaa, mais perto da fronteira dos dois países.

A BBC preparou uma lista de perguntas sobre a permanência das tropas sírias no Líbano e os quase 30 anos de envolvimento militar sírio no país vizinho.

Quando a Síria começou a se envolver militarmente no Líbano?

Os governos sírios sempre consideraram o Líbano parte de uma “Grande Síria”. Eles argumentam que o Líbano foi separado da província otomana da Síria pela França, a potência colonial que passou a controlar o território dos dois países depois da Primeira Guerra Mundial.

As tropas sírias realizaram uma intervenção na guerra civil libanesa em 1976. No seu ápice, o número de soldados sírios no Líbano chegou a 30 mil.

A guerra civil no Líbano acabou em 1990, mas as forças sírias continuaram no país. Atualmente, cerca de 15 mil ainda estão por lá.

Qual foi o papel da Síria na guerra civil?

Em princípio, a intervenção militar síria foi em favor da Frente Cristã Libanesa.

Depois, as forças sírias passaram a atuar no país vizinho com o respaldo da Liga Árabe. Um dos objetivos da Síria no Líbano era limitar a influência de Israel, que invadiu o território libanês em 1978 e em 1982 e dos cristãos maronitas, aliados dos israelenses.

Em 1987, as forças sírias foram enviadas a Beirute para interromper os choques entre forças muçulmanas sunitas e xiitas.

Os soldados da Síria foram cruciais para colocar um fim na guerra civil. No final de 1990, os soldados sírios se envolveram em um combate em que derrotaram o general Michel Aoun, o líder militar cristão que rejeitava os termos do Acordo de Taifa, de 1989, que encerrou o conflito civil.

Segundo o acordo, as tropas sírias deveriam ser remanejadas de Beirute paras as montanhas do centro do Líbano e para o Vale de Bekaa em 1992, iniciando o processo de retirada completa. Alguns soldados foram retirados de Beirute em 2001, em resposta à crescente insatisfação dos libaneses com a presença deles. Mais tropas foram retiradas em setembro do ano passado.

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Por que os pedidos para que as tropas sírias sejam retiradas se intensificaram agora?

Por muitos anos, a influência da Síria sobre o Líbano era vista, por muitos libaneses, como crucial para manter a estabilidade do país. Os soldados sírios e o Hezbollah eram vistos como elementos que equilibravam o poder de Israel, que ocupava o sul do Líbano até 2000.

Desde então, os pedidos para que a Síria se retirasse do Líbano aumentaram gradualmente, assim como o ressentimento quanto à influência de Damasco na política libanesa – e a corrupção atrelada a essa influência. A morte de Rafik Hariri, uma figura que cada vez mais liderava o movimento contrário à Síria, intensificou esse ressentimento.

Em setembro de 2004, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que pede a retirada da Síria do Líbano. O documento contou com o apoio americano e atinge não só Damasco, mas também o Hezbollah. O governo de Washington também adotou sanções contra a Síria.

A resolução está sendo usada para aumentar a pressão sobre a Síria, que vêm sendo acusada de dar apoio a grupos insurgentes do Iraque e dá apoio ao Hezbollah.

O que está em jogo para a Síria no Líbano?

A influência da Síria no Líbano é seu maior trunfo no seu contínuo conflito com Israel. O governo de Damasco é acusado de usar o Hezbollah para manter a pressão sobre Israel na sua fronteira do norte.

A Síria também diz que apenas irá deixar o Líbano no contexto de um tratado de paz sírio-israelense prevendo também a retirada de Israel das Colinas de Golã – um território que pertencia à Síria e que foi invadido e anexado por Israel em 1967.

Analistas dizem que, se a Síria for pressionada a deixar o Líbano, corre o risco de perder seu trunfo sem ganhar nada em troca.

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