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Assad anuncia remanejamento de tropas no Líbano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, disse neste sábado em um pronunciamento no parlamento do país, em Damasco, que está ordenando o remanejamento de tropas sírias que estão no Líbano para mais perto da fronteira entre os dois países. Assad disse que as tropas irão ser deslocadas para a região do vale de Bekaa e depois para a própria fronteira. Além disso, o presidente sírio disse que as tropas sírias não permaneceriam no Líbano nem mais um dia sequer se houvesse consenso, da parte dos libaneses, quanto à saída delas. A Síria está sendo pressionada pelos Estados Unidos e por outros países para retirar os cerca de 15 mil soldados que mantém no Líbano, para onde foram enviados por causa da guerra civil libanesa, em 1976. Nos últimos dias, centenas de pessoas realizaram manifestações no Líbano pedindo a retirada imediata e total das tropas sírias que estão no país. “Irmãos” A pressão aumentou depois do atentado a bomba do mês passado em Beirute, em que o ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri – que se opunha à permanência dos soldados sírios no país – foi morto. Bashar Al-Assad disse no pronunciamento que a Síria não quer manter tropas na Síria, e que elas já vêm sendo retiradas gradualmente nos últimos anos. Segundo ele, o Conselho Supremo Sírio-Libanês deve se reunir nesta semana para discutir detalhes sobre o remanejamento das tropas, e que a retirada não significa que a Síria “irá abandonar” os seus “irmãos libaneses, com os quais tivemos unidade de propósito em momentos cruciais da história”. O presidente, que não deu nenhuma data para a saída das tropas sírias do Líbano, também voltou a negar qualquer tipo de envolvimento da Síria na morte de Hariri, qualificando o crime de “um crime atroz, (que foi) um ataque contra a unidade e a estabilidade do Líbano e também da Síria”. Em vários momentos do discurso, Assad também criticou a imprensa internacional, acusando-a de aumentar a pressão sobre a Síria. Bandeiras Centenas de sírios se concentraram ao redor do Parlamento, no centro de Damasco, agitando bandeiras sírias enquanto aguardavam a chegada do presidente Assad e depois assistindo o discurso dele em telões instalados na parte de fora do prédio. Os manifestantes gritaram sem parar até a chegada do presidente slogans a favor da Síria, do presidente Assad, do presidente libanês pró-Síria, Emile Lahoud, e também de outros líderes ligados ao governo sírio, como o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah Alguns carregavam cartazes em inglês criticando os Estados Unidos ("Onde estão os direitos humanos em Guantanamo e Abu Ghraib?" um questionava) ou defendendo as posições sírias na crise com o Líbano ("A Síria está do lado da legitimidade internacional", dizia outro). "Olha quanta gente aqui para apoiar nosso país e o presidente Assad. Isso é uma mensagem para os Estados Unidos", disso o engenheiro Ismail Balan, que estava na frente do parlamento. "Nós gostamos das pessoas nos Estados Unidos e em todos os lugares, mas o governo dos Estados Unidos não pode fazer o que está fazendo. Os Estados Unidos invadiram o Iraque e ficam ajudando Israel e isto é contra a gente", disse. Controle do governo A Síria tem um regime de partido único, com os deputados indicados pelo governo. Embora nos últimos anos os sírios tenham ganho um acesso maior a informação, com as TVs por satélite trazendo estações internacionais e o acesso à Internet cada vez mais fácil, a mídia local continua controlada pelo governo. O comerciante Bashar Hassan disse que "todos na Síria vão apoiar o presidente" porque, segundo ele, Assad sabe o que fazer para resolver a crise com o Líbano. "A Síria não pode simplesmente sair do Líbano porque eles (os libaneses) têm muitas religiões diferentes e se nosso soldados saírem eles vão começar a brigar de novo." Durante todo o dia, a cidade de Damasco foi tomada por policiais que vigiavam todo o caminho que o presidente teria de percorrer entre o Palácio Presidencial e o Parlamento. Os carros estacionados pelo caminho que não foram retirados pelos proprietários foram guinchados pela polícia. É a primeira vez em dois anos que Assad vai ao Parlamento. Além dos muitos policiais fardados que faziam o controle do trânsito e da multidão, muitos agentes de segurança à paisana também estavam misturados a multidão impedindo que pessoas ficassem paradas em alguns pontos considerados sensíveis. |
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