BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 05 de março, 2005 - 18h30 GMT (15h30 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Assad anuncia remanejamento de tropas no Líbano

Soldados sírios no Líbano
A Síria tem cerca de 14 mil soldados estacionados no Líbano
O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, disse neste sábado em um pronunciamento no parlamento do país, em Damasco, que está ordenando o remanejamento de tropas sírias que estão no Líbano para mais perto da fronteira entre os dois países.

Assad disse que as tropas irão ser deslocadas para a região do vale de Bekaa e depois para a própria fronteira. Além disso, o presidente sírio disse que as tropas sírias não permaneceriam no Líbano nem mais um dia sequer se houvesse consenso, da parte dos libaneses, quanto à saída delas.

A Síria está sendo pressionada pelos Estados Unidos e por outros países para retirar os cerca de 15 mil soldados que mantém no Líbano, para onde foram enviados por causa da guerra civil libanesa, em 1976.

Nos últimos dias, centenas de pessoas realizaram manifestações no Líbano pedindo a retirada imediata e total das tropas sírias que estão no país.

“Irmãos”

A pressão aumentou depois do atentado a bomba do mês passado em Beirute, em que o ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri – que se opunha à permanência dos soldados sírios no país – foi morto.

Bashar Al-Assad disse no pronunciamento que a Síria não quer manter tropas na Síria, e que elas já vêm sendo retiradas gradualmente nos últimos anos.

Segundo ele, o Conselho Supremo Sírio-Libanês deve se reunir nesta semana para discutir detalhes sobre o remanejamento das tropas, e que a retirada não significa que a Síria “irá abandonar” os seus “irmãos libaneses, com os quais tivemos unidade de propósito em momentos cruciais da história”.

O presidente, que não deu nenhuma data para a saída das tropas sírias do Líbano, também voltou a negar qualquer tipo de envolvimento da Síria na morte de Hariri, qualificando o crime de “um crime atroz, (que foi) um ataque contra a unidade e a estabilidade do Líbano e também da Síria”.

 Nós vamos realizar a retirada completa de nossas tropas baseadas no Líbano para a região de Bekaa e, dali, para a região da fronteira sírio-libanesa. Eu concordei com o presidente (libanês) Emile Lahoud em realizar uma reunião do Conselho Supremo Sírio-Libanês nesta semana para detalhar o plano de retirada.
Bashar Al-Assad, presidente da Síria

Em vários momentos do discurso, Assad também criticou a imprensa internacional, acusando-a de aumentar a pressão sobre a Síria.

Bandeiras

Centenas de sírios se concentraram ao redor do Parlamento, no centro de Damasco, agitando bandeiras sírias enquanto aguardavam a chegada do presidente Assad e depois assistindo o discurso dele em telões instalados na parte de fora do prédio.

Os manifestantes gritaram sem parar até a chegada do presidente slogans a favor da Síria, do presidente Assad, do presidente libanês pró-Síria, Emile Lahoud, e também de outros líderes ligados ao governo sírio, como o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah

Alguns carregavam cartazes em inglês criticando os Estados Unidos ("Onde estão os direitos humanos em Guantanamo e Abu Ghraib?" um questionava) ou defendendo as posições sírias na crise com o Líbano ("A Síria está do lado da legitimidade internacional", dizia outro).

"Olha quanta gente aqui para apoiar nosso país e o presidente Assad. Isso é uma mensagem para os Estados Unidos", disso o engenheiro Ismail Balan, que estava na frente do parlamento.

"Nós gostamos das pessoas nos Estados Unidos e em todos os lugares, mas o governo dos Estados Unidos não pode fazer o que está fazendo. Os Estados Unidos invadiram o Iraque e ficam ajudando Israel e isto é contra a gente", disse.

Controle do governo

A Síria tem um regime de partido único, com os deputados indicados pelo governo. Embora nos últimos anos os sírios tenham ganho um acesso maior a informação, com as TVs por satélite trazendo estações internacionais e o acesso à Internet cada vez mais fácil, a mídia local continua controlada pelo governo.

O comerciante Bashar Hassan disse que "todos na Síria vão apoiar o presidente" porque, segundo ele, Assad sabe o que fazer para resolver a crise com o Líbano.

"A Síria não pode simplesmente sair do Líbano porque eles (os libaneses) têm muitas religiões diferentes e se nosso soldados saírem eles vão começar a brigar de novo."

Durante todo o dia, a cidade de Damasco foi tomada por policiais que vigiavam todo o caminho que o presidente teria de percorrer entre o Palácio Presidencial e o Parlamento. Os carros estacionados pelo caminho que não foram retirados pelos proprietários foram guinchados pela polícia.

É a primeira vez em dois anos que Assad vai ao Parlamento. Além dos muitos policiais fardados que faziam o controle do trânsito e da multidão, muitos agentes de segurança à paisana também estavam misturados a multidão impedindo que pessoas ficassem paradas em alguns pontos considerados sensíveis.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul AzizAnálise
Síria se vê sem 'apoio tácito' de colegas do mundo árabe.
manifestações contra Síria em BeiruteBeirute
Parlamentares libaneses evitam confronto com Síria.
O presidente da Síria, Bashar Al-AssadSíria
Mudanças no Líbano provocam isolamento do país, diz analista.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade