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Atualizado às: 16 de fevereiro, 2005 - 19h38 GMT (17h38 Brasília)
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Caio Blinder: EUA fecham cerco diplomático em torno da Síria

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Errou quem apostou em um período de calmaria na política externa do governo Bush, ao menos no começo do seu segundo mandato.

Em questão de duas semanas, além da agitação habitual no Iraque, as águas ficaram ainda mais revoltas nas crises nucleares da Coréia do Norte e Irã. E agora são as novas turbulências no caso da Síria, um daqueles países marcados -para seguir na metáfora - por relações tempestuosas com os Estados Unidos.

As reações eram inevitáveis. Irã e Síria anunciaram nesta quarta-feira "uma frente comum" contra ameaças, embora o embaixador de Damasco nas Nações Unidas, Imad Moustapha, tenha dito que a iniciativa não representa uma aliança antiamericana. É contra quem? Já os Estados Unidos listam claramente os seus alvos.

Enquanto a morte em novembro passado do líder palestino Yasser Arafat abriu oportunidades para a diplomacia americana no Oriente Médio, o assassinato na segunda-feira do influente político libanês Rafiq Hariri foi o pretexto para o governo Bush endurecer o cerco em torno da Síria.

Por ora, é um cerco diplomático.

Papel "desestabilizador"

Washington não acusa diretamente Damasco pela morte de Hariri - que era contrário à presença militar síria no Líbano - mas no mínimo considera o atentado uma prova de que o regime de Bashar Assad tem um papel "desestabilizador" na região, para usar o termo do Departamento de Estado.

A rapidez com a qual o governo Bush foi para cima da Síria após o assassinato de Hariri demonstra a ansiedade para mudar o comportamento do regime de Damasco.

Superfalcões, dentro e fora da administração americana, esperam que as pressões culminem em uma "mudança de regime" em Damasco.

De imediato, a embaixadora dos Estados Unidos na Síria, Margaret Scobey, foi chamada de volta para consultas.

A decisão, é claro, faz parte de uma estratégia mais ampla de incrementar a pressão sobre um regime que Washington considera um motor que impulsiona o terrorismo no Oriente Médio.

Grupos extremistas

Washington acusa os sírios de oferecerem santuário e apoio material para insurgentes iraquianos e grupos extremistas palestinos.

Damasco nega e, inclusive, insiste que está cooperando no trabalho de inteligência e no monitoramento da fronteira com o Iraque. As relações entre Estados Unidos e Síria nunca foram boas e, como observou a secretária de Estado, Condoleezza Rice, na terça-feira, agora pioraram.

No ano passado, o presidente Bush assinou um ato impondo restrições comerciais e de viagens à Síria, mas na seqüência da crise Hariri algumas brechas num relacionamento econômico insignificante poderão ser fechadas e o movimento de diplomatas sírios nas Nações Unidas limitado nas vizinhanças da entidade em Nova York, como já acontece com os iranianos.

O governo Bush poderá ir mais adiante e colocar o presidente Assad no mesmo tipo de quarentena diplomática imposta durante anos sobre Yasser Arafat.

Na implementação de pressões os americanos têm, desta vez, uma rara oportunidade de um trabalho mais afinado com os países com os quais dão trombadas.

O melhor caso é a França, que tem atuado com os Estados Unidos dentro do Conselho de Segurança das Nações Unidas para pôr fim à presença militar síria no Líbano.

"Ações diretas"

Nesta quarta-feira, ecoando a visão de mundo dos neoconservadores, a página editorial do Wall Street Journal sugeriu que o Pentágono se prepare para ações diretas contra a Síria, como a destruição de supostos campos de treinamento de insurgentes iraquianos no país.

Este clima comprova como não surtiram efeitos os esforços, simbólicos ou não, da Síria para aplacar a fúria americana.

As pressões de Washington poderão expor as rachaduras do regime sírio, que, nos cinco anos sob o comando de Bashar Assad, nunca conseguiu ter a estrutura unificada dos tempos do seu implacável pai Hafez Assad.

Diplomatas ocidentais citados na quarta-feira pelo Los Angeles Times definem a Síria como uma "ditadura sem ditador".

A crise deflagrada com o assassinato de Rafiq Hariri em Beirute poderá até gerar uma mudança de regime em Damasco, mas talvez não para melhor.

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