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Análise: Atentado no Líbano aumenta pressão sobre a Síria | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A explosão de um carro-bomba em Beirute, nesta segunda-feira, fez aumentar a revolta de muitos libaneses contra a Síria, apesar de não haver provas do envolvimento sírio no atentado. Depois da explosão, que matou o ex-primeiro-ministro Rafik Hariri e pelo menos nove outras pessoas, muitos olhos se voltaram para a Síria como possível culpada pelo ocorrido. Mas, então, algo estranho aconteceu: um vídeo de um grupo ativista islâmico até então desconhecido, divulgado por uma rede de TV árabe, assumiu a responsabilidade pelo ataque – dizendo que Hariri foi morto por causa de suas ligações com a Arábia Saudita. Será que a violência islâmica entrou no universo político libanês? Ou a alegação do grupo fundamentalista é falsa? A mensagem poderia, por exemplo, ter sido algo plantado para desviar a atenção dos verdadeiros autores do ataque ou ter sido feita por elementos que só estão tentando tirar proveito do atentado. Mas o fato é que a Síria, que mantém cerca de 16 mil soldados em território libanês, foi acusada por políticos de oposição libaneses de ter responsabilidade, e a pressão americana sobre Damasco também deve aumentar. Estados Unidos O porta-voz da Casa Branca, Scott McLellan, não deixou de citar o país logo na primeira reação do governo Bush à morte de Hariri, um político que se opunha a presença síria no Líbano. “Esse assassinato hoje é um terrível lembrete de que o povo libanês precisa ser capaz de perseguir suas aspirações e determinar seu próprio futuro político, livre da violência, da intimidação e da ocupação síria”, disse. As tropas sírias permanecem no Líbano apesar do fim da guerra civil libanesa, em 1990. Os que apoiam a permanência delas dizem que os soldados sírios estabilizam o país. Os que são contra, dizem que eles são uma força de ocupação.
A questão é bastante polêmica no Líbano. ONU A oposição à presença síria no Líbano foi reforçada em setembro do ano passado quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução pedindo a retirada de “todas as restantes forças estrangeiras” do Líbano. A resolução recebeu o apoio dos Estados Unidos e da França, antiga potência colonial do Líbano – e cujo presidente, Jacques Chirac, era um simpatizante de Hariri. Tudo isso, entretanto, precisa ser visto no contexto amplo da relação tensa entre as autoridades de Washington e de Damasco. No seu discurso sobre o Estado da União neste ano, o presidente americano, George W. Bush, dirigiu palavras duras à Síria. “Nós esperamos que o governo sírio deixe de vez de apoiar o terror e abra suas portas à liberdade”, disse. Ao se referir a “apoio ao terror”, ele estava falando do suposto apoio sírio a grupos militantes palestinos e também o suposto apoio ao Hezbollah, que ainda ataca Israel de suas bases no sul do Líbano. Em maio deste ano, Bush proibiu a maior parte das exportações americanas à Síria, o vôo de aviões sírios para os Estados Unidos e vice-versa e bloqueou os bens e contas bancárias de sírios suspeitos de violar uma lei aprovada pelo congresso em Washington em 2003. A lei tinha como objetivo de “acabar com o apoio sírio ao terrorismo, com sua ocupação do Líbano e seu desenvolvimento de armas de destruição em massa e, dessa forma, responsabilizar o governo sírio pelos sérios problemas de segurança internacionais que causou no Oriente Médio”. Outra acusação dos Estados Unidos é que a Síria deu refúgio a simpatizantes de Saddam Hussein que, hoje, estariam lutando contra as tropas americanas no Iraque. Síria De sua parte, a Síria encara o que acontece no Líbano como um elemento de sua própria segurança nacional. As autoridades em Damasco anunciaram que vão diminuir a presença de suas forças no Líbano e remanejá-las mais para o leste, próximo à fronteira entre os dois países. “O governo da Síria e o seu povo estão ao lado do fraterno Líbano nestes perigosos momentos e estendem suas mais sinceras condolências às famílias de Rafik Hariri e das (outras) vítimas”, disse o presidente sírio, Bashar Al-Assad. Ele descreveu o ocorrido como um “crime odioso (…) com o objetivo de atacar a unidade nacional libanesa e a paz civil”. A Síria rejeita todas as acusações americanas e se considera um defensor verdadeiro da unidade árabe e dos interesses palestinos. |
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