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Democratas buscam rumo para combater Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush começa seu segundo mandato com muita energia e muitas promessas. A oposição democrata também tem pique e promete combater a hegemonia republicana na Casa Branca e no Congresso. A desolação pós-derrota eleitoral em novembro já foi substituída por um espírito de resistência e provocações como a verdadeira guerra de guerrilha travada no Senado na sabatina com vistas à aprovação de Condoleezza Rice como secretária de Estado. Numa tática que a liderança republicana considera apenas picuinha, os democratas adiaram para esta semana a aprovação de Condoleezza Rice, o que forçou o demissionário Colin Powell a cumprir mais um ritual ao representar o presidente Bush domingo na posse do presidente ucraniano Viktor Yushchenko. Obviamente os democratas não pretendem minar o controle republicano apenas com picuinhas ou artifícios regimentais. No horizonte distante está a eleição presidencial de novembro de 2008 e, antes, em 2006, eleições para o Congresso. Obstáculos A oposição tem garra, mas há obstáculos como a ausência de uma clara estratégia e de líderes capazes de galvanizar não apenas a base do partido, mas a parcela do país avessa ao projeto republicano. Dentro do partido, há os dilemas habituais envolvendo radicais e moderados, algo que já foi típico nas primeiras análises pós-derrota eleitoral. Será que a opção é golpear pela esquerda? A outra proposta é jogar no meio-campo, disputando com os republicanos o controle da agenda em questões como os difusos valores morais. Paralelamente a estes debates, o partido precisa decidir se tem mais vantagens em travar o que alguns dos seus estrategistas qualificam de "guerra total", com o risco de afugentar eleitores menos beligerantes, ou se é melhor selecionar algumas brigas, com o perigo de desanimar uma base altamente mobilizada e impaciente. Um dos advogados de "guerra total" é Stanley Greenberg, um dos mais conhecidos marqueteiros democratas. Ele argumenta que a única alternativa é atacar em todas as frentes, mantendo um ritmo de campanha permanente, o que de certa maneira é o plano de ataque do governo Bush neste segundo mandato. Há a outra alternativa. Sua pedra-de-toque é polir a agenda legislativa em torno de temas que podem afiar a imagem e a mensagem do partido junto aos eleitores. A reforma da previdência social pregada pela Casa Branca já emerge como uma destas batalhas seletivas. Muitos democratas avaliam que esta é uma estratégia sólida e cadenciada, que pode inclusive resultar em apoio de alguns setores republicanos. Sinais mais claros do rumo a ser adotado deverão surgir no mês que vem com a escolha do novo presidente do Partido Democrata. Howard Dean, ex-governador do estado de Vermont e ex-aspirante presidencial, emergiu como o favorito nesta disputa. Como nas primárias democratas há um ano, Dean tem talento e vibração para mobilizar a base para uma "guerra total", mas pode também perder a energia após uma arrancada inicial. Em uma reedição das batalhas de 2004, alguns setores do partido buscam uma liderança alternativa moderada, mas não existe ainda um nome formidável. A sedimentação de uma opção estratégica é vital como parte da preparação democrata para as eleições de 2006. Sobre 2008, o sonho dos republicanos é de uma convergência dos democratas em torno da senadora Hillary Clinton. Contra ela, será mais fácil travar uma "guerra total". |
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