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Bush não prepara tsunami diplomático para o Oriente Médio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo Bush não prepara um tsunami diplomático no Oriente Médio após as eleições palestinas do próximo domingo, que devem consagrar o moderado Mahmoud Abbas como o sucessor de Yasser Arafat. Não se trata apenas do foco de última hora na tragédia do sul da Ásia ou de engajamento na perene turbulência no Iraque a semanas da eleição, mas de uma visão cautelosa das possibilidades de amenizar o conflito entre israelenses e palestinos. Não há dúvida que a saída de cena de Arafat foi vista em Washington como a condição básica para destravar o processo diplomático. E Abbas é o "homem" da Casa Branca, embora não convenha um abraço muito caloroso para não minar sua imagem entre os palestinos e no mundo árabe. Retirada de Gaza O presidente Bush também está disposto a tirar proveito de outras mudanças expressivas na região, como o início da retirada israelense da Faixa de Gaza nos próximos meses e a costura de um vital acordo entre o primeiro-ministro Ariel Sharon e a oposição trabalhista. Estes fatores, porém, não impulsionam Bush para um grande salto diplomático. Ao contrário dos seus antecessores, desde os tempos de Jimmy Carter, o atual presidente não quer formular a curto prazo uma estratégia ambiciosa ou prometer planos de paz definitivos. Afinal o próprio Bush sentiu o drama quando, no começo de 2003, delineou os estágios de um processo de paz com o chamado "road map". A jornada praticamente desembocou em um beco sem saída. A Casa Branca não considera que o momento esteja maduro para algo grandioso. Avalia, isto sim, que a nova dinâmica na região abre espaço para esforços em escala limitada que eventualmente possam fixar os pilares para um acordo de paz. Até influentes adversários democratas, como o senador Joe Biden, da Comissão de Relações Exteriores do Senado, concordam que, por enquanto, passos curtos podem ser mais efetivos. Alguns exemplos são mais dinheiro para ajudar os palestinos a construírem instituições democráticas, além de escolas e hospitais. No caso de Israel, a idéia é assistência, ou seja, um pouco de pressão, na remoção de oito mil colonos de Gaza. Abbas O governo Bush tem expectativas positivas sobre Abbas. Espera que com o poder consolidado ele seja duro com os extremistas e deixe de lado uma retórica combativa que é necessária em campanha eleitoral. A especulação é de que Abbas quer convencer todas as milícias palestinas a aceitar uma trégua com Israel nos primeiros 100 dias do seu mandato. Mas de certa forma a retórica militante de Abbas - que qualificou Israel de "inimigo sionista" depois de um ataque de um tanque israelense que causou a morte de sete crianças e adolescentes palestinos - reforça a cautela em Washington, pois indica que o novo líder não será tão maleável como se imagina aos interesses americanos ou do governo Sharon. Nesta semana, o Departamento de Estado criticou o "tipo de linguagem" do dirigente palestino. Mesmo assim, estão sendo traçados os paralelos entre Abbas e o ex-presidente egípcio Anuar Sadat. Ele era um dirigente incolor que substitituiu o carismático Gamal Abdel Nasser. No poder, Sadat cimentou os laços com os Estados Unidos e fez uma oferta de paz sem precedentes a Israel. O paralelo não pode ir tão longe. Um pleno acordo entre Israel e os palestinos ainda não está no horizonte e, no caso de Sadat, o preço da paz foi a sua vida. |
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