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EUA carecem de boas opções no Irã e na Coréia de Norte | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Irã e a Coréia do Norte de fato integram um "eixo do mal", na visão americana. Em comum nas crises nucleares envolvendo aqueles dois países, o governo Bush tem más estratégias para enfrentá-las. Em parte, o fracasso decorre da falta de alternativas atraentes, tanto em termos diplomáticos, como militares. Há três anos, o presidente George W. Bush apontou o Irã, a Coréia do Norte e o Iraque como integrantes de um "eixo do mal". No Iraque aconteceram mudanças, e a Casa Branca espera que o país se torne peça vital em alguma espécie de "eixo democrático" no Oriente Médio. Nos outros dois países, o governo Bush está no limbo. Está relutante em lançar um vigoroso empenho diplomático para resolver a crise, mas tampouco tem apetite ou condições para cartadas militares. Em meio a estas incertezas, Washington sofre golpes e empurra as crises enquanto der. Contra a parede No caso norte-coreano, foi o anúncio explícito do regime comunista de que tem armas nucleares e do abandono das negociações multilaterais, que envolvem, além dos EUA, a Coréia do Sul, a China, o Japão e a Rússia. No caso iraniano, foi a declaração do regime xiita de que nunca abandonará o seu direito de desenvolver o que qualifica de um programa nuclear pacífico. A postura de ambos os países pode ser tática de negociação, mas de qualquer forma coloca o governo Bush contra a parede. Por quanto tempo ele poderá manter a indefinição, sem adotar uma posição mais determinada, seja na diplomacia, seja na frente militar? Os regimes de Pyongyang e Teerã avançaram suas ambições nucleares justamente depois que Washington adotou uma doutrina de ataque preventivo na esteira dos atentados do 11 de setembro. No caso norte-coreano, o governo Bush ironicamente estaria em um terreno bem mais sólido do que no Iraque em 2003 para justificar alguma ação militar. Afinal o próprio regime comunista assume que tem armas de destruição em massa. É verdade que não há evidências de testes, o que torna mais fácil para os EUA minimizarem a gravidade da crise, algo que convém neste momento em que a Casa Branca carece de boas opções para agir. A curto prazo, Washington poderá desenvolver alguns esforços para isolar economicamente a Coréia do Norte ainda mais, apesar da relutância da Coréia do Sul e da China em impor penalidades sobre o país. Superfalcões Há o apelo pró-forma de Washington para que os norte-coreanos retornem às negociações multilerais, com a rejeição da proposta de conversações bilaterais. São dois anos de ciranda diplomática sem resultados proveitosos. Para os superfalcões americanos, a conversa nunca vai dar em nada mesmo e eles desconfiam que os parceiros nas negociações estão dispostos a oferecer concessões excessivas tanto em termos econômicos como em garantias de segurança aos norte-coreanos em troca da desativação do programa nuclear. A mesma reticência dos superfalcões americanos existe no caso do Irã, com o qual negociam três países europeus (Grã-Bretanha, França e Alemanha). A diferença óbvia é que Pyongyang está claramente desenvolvendo um programa nuclear com fins militares, em uma mistura de medo, paranóia e oportunidade para manter um controle orwelliano sobre sua população. Faria mais sentido apostar nas negociações com Teerã. Tempo Há variantes na postura do governo Bush. A Casa Branca ao que tudo indica foi pega de surpresa pelo anúncio norte-coreano. Não esperava retrocessos justamente quando moderava o seu tom beligerante. Bush, por exemplo, praticamente não fez referência ao regime de Kim Jong Il no seu recente discurso sobre o Estado da União. No caso iraniano, a retórica está mais passional, com apelos por uma mudança de regime em Teerã como parte da nova onda democrática do governo Bush. Washington assegura que não irá à guerra nos dois casos e isto parece ser uma garantia razoável. No caso iraniano, a secretária de Estado Condoleezza Rice foi explícita. Ela disse na Europa que não há planos, por ora. O governo Bush ganha tempo, assim como Kim Jong Il e os setores mais duros do regime xiita do Irã. |
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