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Atualizado às: 18 de novembro, 2004 - 22h51 GMT (20h51 Brasília)
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Com 53% de desemprego, palestinos querem paz e crescimento

Palestino
Palestinos que tinham empregos em Israel ficaram impossibilitados de ir trabalhar
Um dos principais motivos por que os palestinos querem ver o fim do atual conflito com os israelenses é econômico: as medidas impostas por Israel nos territórios ocupados nos últimos quatro anos está matando a economia palestina.

Em 2000, o PIB palestino girava na casa dos US$ 6 bilhões, o desemprego variava numa faixa de 12% a 15% (parecida com a brasileira), o orçamento das Autoridade Palestina estava entrando nos eixos e as taxas de crescimento estavam acima de 9%.

Mas, em setembro de 2000, começou a nova intifada - uma revolta popular palestina que vinha sendo nutrida pela frustração com a falta de resultados dos acordos de paz da década de 90, mas que foi inflamada por uma visita do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, um dos locais mais sagrados para os muçulmanos.

A resposta de Israel à violência que se seguiu de lado a lado foi uma das mais duras da história do conflito e teve uma repercussão econômica que não foi vista na primeira intifada, que ocorreu entre 1987 e 1991.

Forte impacto

Os números são claros. Apenas quatro anos depois do início da nova intifada e do retorno da ocupação israelense, o desemprego subiu para 53% da população, o PIB caiu 25% e o número de pessoas vivendo abaixo do nível de pobreza determinado pelo Banco Mundial (US$ 2 por dia) explodiu para 70%.

"Nós temos uma crise econômica provocada por uma questão política", afirma Mohammed Shiawa, presidente do Conselho Econômico Palestino para Desenvolvimento e Reconstrução (CEPDR).

Segundo Shiawa, é possível dividir as ações de Israel que afetaram a economia local em dois blocos.

O primeiro foi o fechamento do mercado de trabalho israelense à maioria dos palestinos e do comércio entre os dois povos.

"A consequência é que 120 mil pessoas perderam seus empregos em Israel simplesmente porque não podiam ir ao trabalho", diz Shiawa.

Morte econômica

O segundo grande problema foram as incursões e a implantação de centenas de postos de controle e barreiras nas terras palestinas. Os territórios ocupados se tornaram um arquipélago de cidades palestinas cercadas de desertos e soldados israelenses por todos os lados.

Esse controle e a falta de mobilidade de pessoas e mercadorias custou, segundo os cálculos do CEPDR, outros 95 mil empregos. A força de trabalho palestina é de 600.510 pessoas, segundo dados de 2002.

 O nosso grande desafio continua o mesmo. Não temos como ter uma recuperação sem que Israel acabe com a ocupação e o bloqueio ao movimento de pessoas e mercadorias
Maher Masri, ministro da Economia da Autoridade Palestina

Algumas cidades simplesmente morreram comercialmente. Um exemplo é Qalqilia, uma cidade que fica no norte da Cisjordânia. Com 40 mil habitantes, ela vivia basicamente do comércio com Israel, mas depois que a barreira construída pelos israelenses isolou a região, praticamente cercando toda a cidade, o comércio cessou.

As pessoas sobrevivem agora basicamente do apoio de parentes que vivem no exterior – algo que, junto com doações de organizações estrangeiras, tem sido uma das poucas formas de sobrevivência de grande parte da população palestina.

"O nosso grande desafio continua o mesmo. Não temos como ter uma recuperação sem que Israel acabe com a ocupação e o bloqueio ao movimento de pessoas e mercadorias", afirma Maher Masri, ministro da Economia da Autoridade Palestina.

Ele afirma que há muito pouco que a Autoridade Palestina possa fazer por conta própria para lidar com a situação.

Sem esperança

Para muitos palestinos, o futuro permanece tão incerto como o passado.

Walid Muhammed está sem trabalho há quatro anos. Ele perdeu o emprego em Israel e desde então não conseguiu encontrar outro.

Sobrevivendo com a ajuda de sua família em Hebron, Muhammed afirma que não tem "muita esperança de a situação melhorar".

O local mais rico e menos atingido é a cidade de Ramallah. Centro do poder, das organizações internacionais e das companhias estrangeiras que estão estabelecidas na região, a cidade é uma espécie de oásis para os palestinos.

A Faixa de Gaza enfrenta a pior situação, com 67% da população vivendo na condição de refugiados sem poder deixar a região, que praticamente não tem emprego.

A esperança de uma grande parcela dos palestinos é que um eventual novo governo seja capaz de avançar nas negociações com os israelenses para conseguir mudar seu panorama social e econômico.

Antes disso, porém, os palestinos precisarão de Israel para conseguir realizar nas eleições e de coesão para eleger uma nova liderança que tenha força suficiente para mudar a realidade atual.

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