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Morte de Arafat abre oportunidades, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A morte do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, cria novas oportunidades para o avanço de negociações de paz no Oriente Médio, afirmam analistas. Mas participantes de um seminário realizado no Instituto Brookings de Washington concordaram que a grande dúvida que existe agora é se todos os lados envolvidos no conflito vão criar condições para que estas oportunidades sejam aproveitadas. “Um novo capítulo está se abrindo, e o que vai acontecer certamente depende do que os palestinos vão fazer, mas também de Israel e dos Estados Unidos”, disse Amjad Atallah, ex-conselheiro da Autoridade Palestina e presidente de uma ONG que presta assessoria legal aos palestinos. Por outro lado, o diretor do centro de estudos do Oriente Médio do Instituto Brookings, Martin Indyk, que foi embaixador dos EUA em Israel, disse que “um grande problema é que o presidente George W. Bush já prometeu apoio a Ariel Sharon (primeiro-ministro de Israel) em temas inaceitáveis mesmo para os palestinos moderados”. Etapas A definição das novas lideranças palestinas seria uma das chaves para o futuro das negociações de paz no Oriente Médio. Para o governo americano, os candidatos ideais teriam de ser politicamente moderados, mas, ao mesmo tempo, fortes o suficiente para conter os radicais. O ex-membro do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos e ex-negociador americano no Oriente Médio Flynt Leverett diz que os americanos deveriam retomar a idéia do “Mapa para a Paz”, proposto por Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU, mas que até agora não passou nem da primeira fase. Na opinião de Leverett, deveria ser dada uma garantia aos palestinos de que o cumprimento da primeira obrigação deles – “o fim do terrorismo e a destruição da infra-estrutura terrorista”, segundo o plano de paz – levaria, em etapas posteriores, à desocupação completa da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. “Mas o plano de desocupação unilateral da Faixa de Gaza, proposto neste ano por Sharon, ainda prevê a permanência de Israel em grandes áreas da Cisjordânia. E o presidente Bush já declarou apoio claro ao plano de Sharon”, disse. Leverett, no entanto, diz que “infelizmente” duvida que o governo americano vá dar as garantias de que os palestinos necessitam. Oposição aos EUA A imagem desgastada dos Estados Unidos no Oriente Médio também acaba limitando em parte as possibilidades de mediação. O professor da área de paz e desenvolvimento da Universidade de Maryland, Shibley Telhami, observou que pesquisas feitas recentemente mostram que, entre os líderes mais admirados nos países árabes, estão o ex-presidente do Egito Gamal Nasser, o presidente francês, Jacques Chirac, o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden. “São figuras muito diferente entre si e a única coisa que as identifica é algum tipo de oposição aos Estados Unidos”, disse Telhami. O pesquisador observa que, embora Yasser Arafat fosse amplamente identificado com a causa palestina e respeitado por isso, ele foi citado como o “líder mais admirado” por apenas 2,5% dos entrevistados. Mas o ex-embaixador Michael Indyk diz que, por outro lado, a popularidade dos Estados Unidos em Israel coloca o presidente Bush em posição privilegiada para pressionar Sharon. “Como não tem maioria parlamentar, Sharon vai ter de fazer uma coligação com a esquerda, e as eleições podem acabar sendo adiantadas para o ano que vem. Sharon não pode chegar a uma eleição em conflito com Bush. Ele sabe que políticos em Israel não ganham eleições se estão em conflito com o presidente dos Estados Unidos”, diz Indyk. |
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