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Atualizado às: 09 de novembro, 2004 - 17h55 GMT (14h55 Brasília)
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Chanceler palestino descarta uso de eutanásia em Arafat
Shaath
Shaath disse que Arafat está em coma desde quarta-feira
Em entrevista coletiva em Paris, o ministro das Relações Exteriores palestino, Nabil Shaath, descartou o uso de eutanásia para acabar com a vida do líder Yasser Arafat.

Shaath disse também que o cérebro, o coração e os pulmões de Arafat estão funcionando. Segundo ele, o líder palestino não foi envenenado e nem tem câncer.

No entanto, os médicos ainda não teriam um diagnóstico completo da doença de Arafat. O ministro disse que a explicação mais provável para a doença do líder palestino seria a combinação de fatores, incluindo seus 75 anos, uma vida difícil e o fato de, por determinação de Israel, ele ter ficado confinado nos últimos três anos em local com pouco oxigênio.

Quartel-general

Arafat viveu no seu quartel-general, em Ramallah, na Cisjordânia, nos últimos três anos, depois do recrudescimento da intifada palestina.

Segundo Shaath, a combinação de fatores teria provocado inflamação nos intestinos e no estômago, um quadro teria se agravado nos últimos tempos, o que levou à transferência de Arafat para o hospital em Paris.

Na coletiva, ele confirmou que Arafat está em coma desde quarta-feira e que esse estado se agravou na noite passada.

O ministro assegurou, porém, que os médicos estão fazendo "todo o possível" pela saúde de Arafat.

'Hemorragia cerebral'

Um assessor graduado da Autoridade Nacional Palestina na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, disse que o líder palestino Yasser Arafat sofreu uma hemorragia cerebral.

O assessor, Tayeb Abdel Rahim, indicou também que o enterro de Arafat deverá ser em Ramallah, onde fica a sede da Autoridade Palestina.

"Se acontecer o pior, todos os preparativos serão tomados a partir do QG de Arafat", disse o assessor Tayeb Abdel Rahim, que é secretário-geral da Presidência palestina.

A entrevista coletiva em que foi anunciada a hemorragia aconteceu no principal salão de conferências do QG de Arafat em Ramallah, onde continuam incessantes reuniões de lideranças da Autoridade Palestina.

Essas lideranças devem se encontrar com várias facções palestinas ainda nesta terça-feira para discutir a sucessão do líder palestino.

Em Paris, depois de ter visitado Arafat no hospital, o ex-primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas, havia dito que o estado de saúde dele "é muito grave".

Abbas integra a delegação de lideranças palestinas, chefiadas pelo primeiro-ministro Ahmed Korei, que viajou à França para visitar Arafat no hospital militar onde o presidente da Autoridade Palestina permanece internado há mais de dez dias.

Os líderes palestinos que viajaram à França se encontram com o presidente Jacques Chirac nesta terça-feira e voltam aos territórios ocupados na quarta.

O ministro das Relações Exteriores, Nabil Shaath, disse que "só Deus sabe" se Arafat "vai sobreviver". Relatos de autoridades palestinas não identificadas citadas por agências de notícias dizem que o líder palestino tem apenas "horas de vida".

Pouco antes da visita dos dirigentes palestinos, o hospital divulgou um boletim médico informando que o estado de saúde de Arafat piorou e o seu coma ficou ainda mais profundo.

De acordo com o porta-voz do hospital, o novo agravamento da saúde de Arafat é um desdobramento "significativo", mas o diagnóstico permanece incerto e não é possível determinar se o coma ainda é reversível.

Disputas

Os dirigentes palestinos dizem que as informações sobre a saúde de Arafat estão sendo restringidas por sua mulher, Suha, que acusou os políticos da cúpula palestina de tentar "enterrar Arafat vivo".

Korei, Abbas, Shaath e o líder da Assembléia Legislativa palestina, Rawhi Fattuh, chegaram a Paris, procedentes de Ramallah, na segunda-feira.

Nesta terça-feira, os três se encontraram com o ministro das Relações Exteriores da França, Michel Barnier, e também tinham marcado um encontro com o presidente francês, Jacques Chirac.

Até agora, os médicos não revelaram os detalhes do problema de saúde que, há 11 dias, provocou a internação do líder palestino, de 75 anos de idade.

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