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Atualizado às: 18 de novembro, 2004 - 00h46 GMT (22h46 Brasília)
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Ódio aos israelenses impera em campo de refugiados na Faixa de Gaza

Tanque israelense em Gaza
Tanque israelense em operação na Faixa de Gaza
"É isso que são os israelenses", diz Wayel Al Mayad, apontando para o que sobrou de sua casa no campo de refugiados de Jebalya, que fica ao norte da Cidade de Gaza e a poucos quilômetros da fronteira com Israel.

Mayad aponta, na verdade, para um quarto em ruínas e de paredes azuis cravejado de balas e totalmente queimado por dentro.

Era o quarto de seu irmão, diz ele, que em setembro passado ficou ferido na mais recente incursão ao campo.

O restante da casa não passa de escombros.

Ofensivas

Os israelenses dizem que militantes palestinos utilizam os morros em que fica o campo para lançar foguetes contra alvos em Israel.

Entre outubro e setembro passados, como resposta ao lançamento de mísseis supostamente de dentro do campo, o governo israelense determinou uma incursão e a destruição de casas em áreas que poderiam esconder militantes.

O resultado foi a destruição, segundo a contagem palestina, de 150 casas e a morte de 120 pessoas ao longo de uma operação de duas semanas.

A violência dos dois lados do conflito está reduzindo a Faixa de Gaza a uma zona de guerra na qual poucas áreas não têm cicatrizes de combates.

O campo de Jebalya é um retrato dessa situação. Um dos lugares mais populosos da superlotada região, o local era conhecido por suas ruas estreitas cheias de lixo e entulho.

Mas a recente incursão realizada por Israel mudou pelo menos parte do cenário. Os tanques e buldôzeres israelenses abriram largas avenidas no local onde antes existiam casas.

Nessa parte de Jebalya, a área mais alta, não há uma casa ou prédio que ainda esteja de pé, sem marcas de tiros.

"Éramos 20 pessoas na minha casa", afirma Abdo Al Rahman, que aos 52 anos diz ter perdido tudo na incursão. Ele afirma que seus familiares mal tiveram tempo de sair da casa quando ela começou a ser destruída pelos tratores de Israel.

"Sai com a roupa do corpo. Nós não achávamos que eles iam destruir as nossas casas."

Agora Rahman e seus familiares estão vivendo em casas alugadas. Sua expectativa é que a Autoridade Palestina pague pelos custos, que batem na casa dos US$ 150 ao mês para toda a família.

Com todos os membros da família desempregados, ele afirma não ter como pagar os custos que tem hoje e está com medo de ser despejado.

Destruição

Histórias como essas se acumulam em meio aos prédios e às casas arrasadas das cidades e campos de refugiados da Faixa de Gaza.

Basta caminhar pelos escombros de campos como Jebalya, nos quais invariavelmente dezenas de crianças brincam em meio ao entulho, para descobrir alguém que tenha um parente morto por uma incursão ou conheça alguém que perdeu tudo.

O ódio aos israelenses impera em boa parte desses lugares.

"No dia em que vi as casas sendo destruídas, disse para o meu pai: me dê uma arma que eu quero atirar nos israelenses", diz Mohammed Abo Rokba, de 12 anos.

Ele mora em frente a uma casa da qual sobraram apenas as paredes externas e também tem parentes que perderam tudo em incursões.

A resposta israelense às acusações dos palestinos muitas vezes também está carregada do mesmo grau de ressentimento e ódio.

Tanto o governo como as pessoas comuns em Israel apontam para os atentados suicidas - nos quais civis, muitas vezes crianças e mulheres israelenses, são dilacerados por bombas humanas - para justificar as ações de seu Exército.

Em meio ao ciclo de violência, poucos palestinos da Faixa de Gaza falam de paz ou acreditam que a possível retirada das tropas de Israel de Gaza vá solucionar o problema, já que os israelenses continuariam a controlar fortemente as fronteiras e todos os territórios ocupados da Cisjordânia.

Sentado sobre os escombros de sua casa, procurando entre o entulho o que diz ser chumaços de cabelo humano e pedras marcadas de sangue para provar que pessoas morreram nequele lugar, Wayel Al Mayad olha para cima quando é perguntado se acredita na paz.

Com um olhar que demonstra certa incredulidade com a pergunta, ele responde sem titubear: "Não".


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