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Impedidos de viajar, palestinos de Gaza fazem 'funeral simbólico' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Israel não permitiu que os palestinos viajassem da Faixa de Gaza para Ramallah, na Cisjordânia, onde foi enterrado o líder Yasser Arafat. Em função disso, a Cidade de Gaza fez um "funeral simbólico", que teve a participação de milhares de pessoas, inclusive membros dos grupos militantes palestinos Hamas e Jihad Islâmico. Muitas das pessoas que participaram dessa cerimônia simbólica gostariam de ter ido a Ramallah, mas ninguém pensava seriamente que Israel permitiria isso. O fim da cerimônia em Gaza teve uma aparência militar, com a participação de vários integrantes de organizações paramilitares. Mas havia mais civis prestando suas homenagens a Arafat. Bandeiras A marcha de pessoas terminou no complexo presidencial, o lugar onde Arafat trabalhou e morou por muitos anos, imediatamente depois do acordo de Oslo. O complexo foi destruído pela Força Aérea israelense em meados de 2002. Uma grande tenda foi armada em frente ao complexo e milhares de pessoas marcharam até lá, incluindo alguns grupos de homens com máscaras e revólveres. Mas foi uma cena ordeira, com tiros para o ar, cerimoniais. Podia se ver bandeiras dos grupos Hamas e Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. Os rituais para a despedida de Arafat tinham começado ainda na quinta-feira em Gaza. Pouco depois da notícia da morte dele, alto-falantes começaram a transmitir a leitura de trechos do Corão. Lojas, escolas e escritórios ficaram fechados. Bandeiras negras foram desfraldadas e pôsteres de Arafat foram afixados nas paredes. Centenas de pneus foram incendiados. Pouco depois, uma nuvem densa de fumaça pairava sobre os prédios e minaretes. Mostrava qual o sentimento na cidade de Gaza, naquelas primeiras horas. 'Pai' As pessoas não estavam chocadas com a notícia da morte de Arafat. Ele estivera muito doente por duas semanas. Em Gaza, eles sabiam que o fim dele estava chegando. Mas as notícias de Paris provocaram uma tristeza muito genuína e generalizada. "Ele era nosso líder", disse um homem. "E estamos todos tristes, porque ele era um combatente. Pedimos a Deus que o abençoe, e temos esperança, com a ajuda de Deus, que nossa vitória virá." Havia um sentimento entre as pessoas que ele personificara toda a causa delas. "Sinto-me como um filho que perdeu seu pai e seus sonhos. O presidente Arafat não era apenas um líder, ele era um símbolo de nossa luta e nossa liberdade. Ele estava lá quando nós nascemos", disse outro homem, poucos minutos depois que a notícia chegou a Gaza. Diferenças A notícia da morte também criou preocupações sobre incertezas futuras entre os palestinos. "Tenho esperança de que com a partida de Yasser Arafat, o povo palestino, com todas as suas diferentes facções, vai agora se unir e seguir o mesmo caminho e a fé de Yasser Arafat", disse um homem nas ruas, refletindo essas preocupações. Pelo menos por enquanto, há conversas em todo o espectro político da importância da união. Hamas e Jihad Islâmico tiveram profundas diferenças com Arafat por muitos anos. Mas nas horas seguintes à morte dele, mesmo representantes dessas duas organizações falavam de sua tristeza. Eles o reconheceram como uma "figura colossal" da história palestina. Certamente, em vida, Yasser Arafat tinha muitos críticos entre os palestinos. O governo que ele chefiava é visto como corrupto e ineficiente. Mesmo quando ele estava muito doente no hospital, em Paris, era possível encontrar uma minoria que falava de sua profunda desilusão com o desempenho do líder desde que ele voltara para administrar os territórios palestinos. Mas nesses últimos dias pelo menos, ninguém falou mal de Yasser Arafat nas ruas de Gaza. |
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