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Aumenta interesse de americanos em mudar de país | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No dia seguinte à divulgação do resultado das eleições presidenciais americanas, na semana passada, o site do Serviço de Imigração do Canadá registrou um recorde de visitas, mais de 179 mil – sendo 64% delas de pessoas nos Estados Unidos. O aumento no movimento no site está sendo visto como resultado do interesse de americanos que querem deixar seu país depois da reeleição de George W. Bush para mais quatro anos de mandato na Presidência dos Estados Unidos. Um dos mais famosos pode ser o ator, diretor e produtor Robert Redford. Pouco antes das eleições perguntaram o que ele faria se Bush fosse reeleito. "Eu provavelmente vou para a Inglaterra. Não, para a Irlanda", disse. "Para visitar ou para morar?", perguntou a repórter da BBC. "Para morar", respondeu. Casamento Se ele falava sério ou não ainda não se sabe, mas ele não está sozinho. Um site de brincadeira - marryanamerican.ca - convoca canadenses solteiros a se oferecer como maridos ou mulheres para americanos desiludidos, facilitando o processo no qual eles tentam conseguir um visto. O site pede que os internautas "resgatem progressistas americanos de mais quatro anos de Bush". Uma piada, talvez, mas Ian Mitroff, de 66 anos, professor da Universidade do Sul da Califórnia, fala sério quando considera se mudar para o país vizinho. Mas diz que ainda não está pronto. "Estou numa dúvida imensa sobre o que fazer. Outra guerra sem sentido me fará sair, ou se a perseguição a gays se tornar tão grave que não exista mais tolerância e as pessoas temam por sua própria segurança", afirmou. O site BBC News recebeu diversos e-mails de democratas e outros ativistas anti-Bush ameaçando, em diversos graus de seriedade, deixar o país em caso de vitória do presidente. Mas há sinais de que alguns estão determinados a cumprir sua promessa. Última chance Brian Boyko, de 25 anos, que faz pós-graduação em jornalismo na Universidade do Texas, diz que vai se mudar para a Grã-Bretanha. Boyko votou em Bush em 2000, mas diz que agora teme que as políticas de Bush e seu direito de governar estejam baseados na fé e não na razão.
"Acho que essas eleições foram a última chance que tivemos de mudar a direção que este país está tomando", afirmou. Ele acredita que mais pessoas vão deixar o país. "Acho que provavelmente vai começar com os gays e com os muçulmanos, que devem ser os bodes expiatórios. Há algo podre aqui. Só estou sentindo o cheiro ruim antes dos outros", disse. Boyko planeja deixar o país quando terminar o curso, em maio. Sinais sutis A advogada Peggy Bowen, de 57 anos, de Santa Fé, planeja ir para o México. Embora há tempos faça planos de se mudar para aquele país, ela diz que o segundo mandato de Bush acelerou seus planos. "Meu medo é não saber a hora de sair", disse. Os sinais são sutis e não completamente claros. A embaixada britânica em Washington diz que não houve aumento em consultas de americanos interessados em se mudar para o outro lado do Atlântico. Mas diretores do site Living Abroad, que reúne expatriados americanos, dizem que notaram um aumento no número de visitantes nos dias seguintes à eleição. "As pessoas estão clicando em anúncios que falam em estudar ou viver como aposentado no exterior", disse a editora do site, Ruth Halcomb. "Acho que tem tudo a ver com as eleições", afirmou. |
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