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Unificar os EUA será tarefa difícil, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Definida a eleição presidencial americana, tanto o republicano George W. Bush quanto o democrata John Kerry fizeram nesta quarta-feira apelos para que o país volte a se unir – depois de uma amarga disputa que, mais uma vez, provocou divisões profundas no eleitorado. "Os Estados Unidos precisam de unidade", disse Kerry no discurso em reconheceu sua derrota. "Eu prometo fazer minha parte para acabar com a segregação partidária." Por sua vez, em seu discurso da vitória, Bush se dirigiu aos eleitores de Kerry, dizendo: "Para fazer esta nação mais forte e melhor, eu preciso de seu apoio. E eu vou trabalhar para conquistá-lo". No entanto, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, unificar o eleitorado em torno da figura de Bush não será uma tarefa fácil. Feridas "Eu não sei se há uma forma fácil de curar as feridas", disse o cientista político e professor da Universidade de Miami, Benjamin Bishin. "A forma como se pode fazer contrasta com o histórico deste presidente." Bishin disse que "normalmente, a forma de fazer isso é adotando políticas moderadas e conciliatórias se envolvendo em um espírito de bipartidarismo". "Mas se esperava que o presidente tivesse feito exatamente isso depois das eleições de 2000, mas ele fez o oposto. Adotou medidas relativamente extremadas com o objetivo de satisfazer a sua base." Nem todos os analistas são tão pessimistas. Nicol Rae, cientista político da Universidade Internacional da Flórida, reconhece que a tarefa é difícil porque a campanha foi "amarga", mas acha que "a forma como ela acabou vai ajudar". "O senador Kerry decidiu que não ia arrastá-la pelas próximas semanas. Parece que ele foi generoso ao reconhecer sua derrota, e o presidente Bush falou coisas generosas a respeito dele." Reunificação Rae acredita que o ônus da unificação recai agora sobre Bush. "O presidente tem duas escolhas", disse ele. "Ele pode interpretar sua vitória como um sinal verde para adotar, com o congresso republicano, grandes mudanças políticas." "Ou o presidente, que agora tem mais liberdade por não poder se candidatar à reeleição de novo, pode optar por um governo mais de centro." "O governo Bush prestou muita atenção à sua base no primeiro mandato, e poderia-se dizer que a mobilização dessa base foi o que garantiu sua reeleição, mas, agora, ele não precisa mais ficar cuidando de sua base", completou. Futuro dos democratas Um outro fator que pode influenciar a "reunificação" americana pós-eleições é o rumo do Partido Democrata, que sofreu perdas importantes no Congresso, além da batalha pela Casa Branca. Colleen Kinder, uma ativista democrata que trabalhou em Miami na campanha de Kerry, reconheceu que o Partido precisa agora passar por um período de auto-análise e que "vai demorar um tempo" até que os democratas descubram qual rumo devem seguir. Ela diz que acha que o diálogo entre democratas e republicanos está hoje mais complicado nos Estados Unidos porque uma parcela significativa das pessoas está tomada pelo medo,, e isso teria ajudado a eleger Bush. "Os americanos estão com medo do terrorismo e de grandes coisas sobre as quais ninguém pode falar racionalmente a respeito. As pessoas votam por medo e, quando há tempos de segurança, elas escolhem o que parece ser mais estável", comentou. |
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