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Eleitores da Flórida sentem 'alívio' com fim de eleição | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A ausência de grandes problemas nas eleições presidenciais americanas na Flórida deixou aliviados muitos eleitores do Estado, bombardeados por propagandas eleitorais e numerosas visitas do presidente George W. Bush e do candidato democrata John Kerry nas últimas semanas. Ouvidos pela BBC Brasil depois de votar, alguns deram sinal de cansaço com a maratona eleitoral e disseram esperar que o nome do novo presidente seja definido o mais rápido possível. Centenas de fiscais dos Partidos Democratas e Republicano, advogados dos dois partidos e observadores invadiram os centros de votação nesta terça-feira, mas poucas foram as surpresas. Em alguns locais de votação com urnas eletrônicas havia poucas máquinas para o volume de eleitores, e, em outros, houve também problemas técnicos com o equipamento, que fizeram a votação se prolongar muito além do horário de fechamento das urnas. Também houve atrasos relacionados ao voto provisório – preenchido por eleitores que, por causa de alguma falha no registro eleitoral, não figuravam nas listas dos distritos. Especialmente no período da manhã, houve filas de mais de uma hora em algumas regiões do Estado, embora as autoridades acreditem que o sucesso do voto adiantado, nas últimas semanas, tenha ajudado a diminuir o número de pessoas esperando. Espanto "Eu não esperava isso. Eu esperava ter que passar muito mais tempo votando", disse o eleitor John Lopez em um centro de votação na região metropolitana de Miami. Ele passou cerca de quinze minutos no local. Lopez apareceu para votar em seu distrito no início da tarde, quando o local estava praticamente sem eleitores, depois de filas de uma hora ou mais durante a manhã. O eleitor disse que as mudanças introduzidas nesta eleição, como a adoção da urna eletrônica e do voto adiantado em alguns Estados, foram muito benéficas, tornando a eleição "mais rápida e eficiente". Ele também foi rápido em responder o que ele menos gostou desta campanha eleitoral: o excesso de propaganda dos candidatos. "Isso só bagunça a cabeça das pessoas. Elas ficam confusas, não sabem em quem estão votando, eles não sabem quem é bom ou mau." Por outro lado, Lopez reconheceu que foi justamente o excesso de propaganda na TV que o fez mudar de idéia. Ele em princípio pensava em voltar no democrata John Kerry, mas acabou votando em George W. Bush. Ligações incômodas Ao redor dos distritos eleitorais visitados pela reportagem da BBC Brasil, a história se repetiu: cabos eleitorais democratas e republicanos faziam propaganda de boca de urna de forma discreta, sem algazarra ou distribuição de panfletos como é comum no Brasil. Em muitos casos, os cabos eleitorais apenas permaneciam com seus cartazes na mão e abordavam os eleitores que vinham votar. Um deles, o brasileiro Luis Rodrigues, também elogiou muito o sistema de votação em vigor na região de Miami, embora diga ter esperado 1h40 para votar. Só para ler a longa cédula de Miami, Rodrigues disse ter demorado de 12 a 15 minutos. Além do presidente, os eleitores da região também escolheram um novo prefeito para o condado de Miami-Dade (região administrativa que inclui Miami), senador e deram suas opiniões em referendos sobre emendas à constituição estadual e projetos orçamentários. O brasileiro, que vive há 14 anos nos Estados Unidos, disse que só mudaria uma coisa para as eleições presidenciais de 2008: ele acabaria com as ligações telefônicas que recebeu dos comitês de campanha dos candidatos, pedindo votos. "Incomoda, e eu vi muita gente reclamando", disse Rodrigues, explicando que recebeu pelo menos seis ligações de cabos eleitorais. "Ligaram inclusive no domingo, e eu até disse: 'cara, estou tendo um churrasco aqui, vai lá cuidar da sua família que eu estou cuidando da minha.'" Reformas Perto dali, Denise Johnson, uma voluntária da campanha de John Kerry, disse também não ter visto problema nenhum nas eleições, mas falou que muitos eleitores pareciam estar nervosos com o que viria depois da votação, como possíveis processos judiciais, como em 2000. "Muita gente acha que a gente não vai saber (quem vai ser o vencedor). Vai voltar para os tribunais decidirem. Muitos pensam que a gente não vai saber hoje, nem amanhã (o vencedor)." A brasileira-americana não poupa críticas ao sistema eleitoral americano. Para ela, mesmo que não ocorram problemas neste ano, a forma como ocorrem os americanos escolhem seu presidente colabora para que surjam confusões. "Cada Estado tem seu próprio sistema de votação", explica. "Tem Estados que estão (...) usando máquinas (de votação), tem outros usando papel. Eu acho que deveria ter um sistema só, para o país inteiro, de votação. Mesmo que seja nas eleições locais." Denise também critica o sistema de eleição indireta do presidente americano. "Eu acho que deveria tirar o colégio eleitoral, ser voto popular no país inteiro." |
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