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Rove quer consolidar hegemonia republicana, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Desde que o presidente George W. Bush foi eleito governador do Texas pela primeira vez com a ajuda do consultor Karl Rove, em 1994, a trajetória política dos dois está intimamente ligada. Costurando nos bastidores, Karl Rove foi mais uma vez essencial em uma campanha - neste caso, a que levou o chefe dele ao segundo mandato presidencial. No discurso de vitória, o presidente Bush fez questão de reservar um agradecimento especial "ao arquiteto Karl Rove". Mas agora que Bush chegou ao ponto máximo e Rove não tem que se preocupar com uma próxima eleição para o chefe, quais vão ser os objetivos deste consultor elogiados por uns, criticado por outros mas considerado um prodígio por quase todos? "O que Karl Rove sabe fazer é ganhar eleições, e a agenda dele agora é fortalecer a posição do Partido Republicano nos Estados Unidos independentemente de Bush", diz o cientista político Mark Rom, professor da Instituto de Políticas Públicas da Universidade Georgetown, em Washington. A estratégia de levar os cristãos conservadores às urnas - amplamente alardeada por Rove há cerca de dois anos - garantiu não só a presidência dos Estados Unidos para Bush como também uma ampliação nas maiorias dos republicanos na Câmara dos Representantes e no Senado. Moral Dois aspectos fundamentais desta estratégia foram as investidas do governo contra o casamento homossexual e contra o aborto (incluindo aí as pesquisas com células de embriões). As pesquisas mostrando que cerca de um quinto dos eleitores que foram às urnas o fizeram em defesa de valores morais e que aproximadamente 80% destes votaram em Bush sugerem que Karl Rove marcou mais um ponto. "Com certeza Karl Rove é um filtro e explica ao presidente como certas políticas vão afetar a popularidade dele. Acho que ele tem também alguma influência no modo como as políticas são apresentadas, mas acredito que as decisões do presidente são mais influenciadas por outros assessores", opina o cientista político John Todd, da Universidade do Norte do Texas. Este ano, a polêmica sobre casamento homossexual - iniciada pelo Suprema Corte de Massachusetts, mas super-alimentada pela Casa Branca - levou 11 estados a incluírem na cédula presidencial uma pergunta sobre a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nos 11 estados, o casamento homossexual acabou proibido pelo voto popular. Rove não admite publicamente, mas tanto críticos quanto simpatizantes acreditam que ele teve participação chave nos arranjos que levaram à consulta popular nestes estados, não porque ele estivesse preocupado com a defesa do casamento, mas para dar um motivo a mais para que eleitores conservadores fossem até as urna no dia das eleições. Votos Dos onze estados onde a medida foi adotada, no entanto, oito já estavam garantidos para Bush e apenas três estavam entre os disputados "estados-chave". Nestes estados já claramente republicanos, a estratégia foi ganhar terreno político para o partido em eleições locais e legislativas. Há também entre os republicanos, no entanto, o temor de que o apelo de Rove à base conservadora do presidente acabe alienando eleitores mais moderados. Mas em entrevistas à imprensa Rove contestou as análises que dizem que os cristãos conservadores são privilegiados nas estratégias políticas dele. "O presidente Bush foi eleito com 58 milhões de votos, a maior votação da história para um presidente americano. Vocês acham que teríamos conseguido isso com uma base tão limitada (de conservadores)?", perguntou Rove em uma entrevista ao jornal The New York Times. Para o cientista político Mark Rom, Karl Rove pode se adaptar muito bem a ventos mais liberais se tiver que trabalhar, no futuro, direta ou indiretamente, com estrelas em ascensão do partido republicano, que têm posições bem menos socialmente conservadoras do que o presidente Bush, como o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani e o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. "A filosofia política de Karl Rove é ganhar votos", diz Rom. Bastidores Sejam quais forem os planos de Karl Rove, todos concordam que ele deve executá-los como sempre fez: em silêncio e agindo nos bastidores para pegar os adversários de surpresa. Embora Rove tivesse avisado que pretendia trazer paras as urnas os cristãos evangélicos, os holofotes ficaram em cima dos esforços de arregimentação de eleitores promovidos pelos democratas. Quando as enormes filas no dia da eleição deixaram claro que participação nas eleições seria recorde, todos os analistas disseram que os democratas estavam a um passo da vitória. Quando os votos começaram a ser contados, no entanto, apareceu a surpresa de Karl Rove. "Rove é um consultor político de aluguel que extremamente habilidoso e que por muitos anos ainda vai ter espaço na política americana", é a opinião da professora de comunicação da Universidade de Georgetown Diana Owen. |
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