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Atualizado às: 02 de novembro, 2004 - 00h04 GMT (21h04 Brasília)
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Brasileiros 'aumentam participação política nos EUA'

O candidato democrata à Casa Branca, John Kerry
Estimativas indicam que 50 mil brasileiros podem estar votando
Enquanto George W. Bush fazia um discurso de campanha neste domingo em um centro de convenções em Miami, centenas de simpatizantes do presidente e do candidato democrata à Casa Branca, John Kerry, travavam uma feroz guerra de palavras do lado de fora.

Separados por uma avenida, os eleitores de um lado tentavam ofuscar os eleitores do outro com barulho e insultos dirigidos aos adversários. No meio da torcida democrata, três brasileiros empunhavam um cartaz com a bandeira verde e amarela.

"Estou trabalhando na campanha. Sou ativista já faz um ano e meio", disse Magda Machado, que chegou aos Estados Unidos em 1970.

"Sou extremamente contra o senhor Bush, acho que a política internacional dele é desastrosa para o Brasil, para o mundo, para esta terra."

Não existem estimativas oficiais quanto ao número de brasileiros participando ativamente dessas eleições americanas, como voluntários ou cabos eleitorais oficiais.

Mas, segundo avaliação de representantes do Partido Democrata na Flórida e de pessoas trabalhando na campanha, a participação da comunidade no processo político americano está crescendo.

"Presente de Deus"

"Tem 50 mil brasileiros registrados (para votar) e isso é uma coisa muito importante", disse à BBC Brasil Isabel Santos, uma professora de línguas que também está trabalhando ativamente da campanha eleitoral como cabo eleitoral de John Kerry.

Isabel disse que, em uma passeata de que participou no sábado em Miami, encontrou cerca de 500 brasileiros engajados na campanha.

"Eles (os políticos) não imaginavam que tinha tanto brasileiro. Tanto que nessa passeata o prefeito de Miami foi e deu todo o apoio."

 Aqui, eles acham que a democracia é um presente que lhes foi dado por Deus. No Brasil, como tivemos anos de ditadura militar, nós temos uma profunda gratidão por nosso direito de voto.
Magda Machado

Os brasileiros têm uma perspectiva única quanto às eleições e isso teria sido um fator que os motivou a se mobilizar.

"No Brasil, há um sentimento muito mais profundo de democracia do que aqui", disse Magda Machado.

"Aqui, eles acham que a democracia é um presente que lhes foi dado por Deus. No Brasil, como tivemos anos de ditadura militar, nós temos uma profunda gratidão por nosso direito de voto."

Outra brasileira envolvida na campanha deu opinião semelhante. "No Brasil, o voto não é um direito, é uma obrigação. Isso já transforma totalmente a abordagem das pessoas, aqui e lá. Aqui as pessoas são muito permissivas, a grande maioria acha que isso (o voto) não compete a eles."

Transparência

Adriana Sunderland, uma administradora de empresas que mora no Estado de Maryland (nordeste dos Estados Unidos) pertence ao significativo grupo de brasileiros-americanos que vai votar em George W. Bush nessas eleições.

Ela também não poupa críticas ao processo eleitoral americano, especialmente no tocante ao sistema em vigor no país para a escolha do presidente, mas vê diferenças positivas.

"Eu pessoalmente acho que esse sistema está ultrapassado, precisa ser modificado", disse, explicando que o sistema foi adotado tendo em mente os Estados Unidos de mais de 100 anos atrás.

"No Brasil, existe um marketing muito forte em cima do candidato, a preocupação com a aparência, o apelo para o coração do eleitor", analisou.

"(...) Eu acho que aqui nos Estados Unidos, em relação à campanha eleitoral, o candidato é muito mais transparente. E até o eleitor americano ele é diferente, ele saber 'ler' o candidato muito melhor que o brasileiro."

No bate-papo

Adriana e Isabel entraram em contato com os partidos e se inscreveram para trabalhar nas eleições voluntariamente, e não recebem nenhuma remuneração dos partidos que defendem.

As duas já têm suas estratégias prontas para essa terça-feira. Isabel pretende ir votar logo de manhã e dedicar o resto do dia ao corpo a corpo.

"Mas nada de campanha aberta, forte: no bate papo, com bom humor, no jeitinho brasileiro", disse.

Adriana também aposta em sua lábia para convencer os eleitores que ainda estiverem indecisos a caminho das urnas.

"A gente tem que olhar para os últimos quatro anos e ver que esse presidente tem uma história de sucesso desde os atentados de 11 de setembro", disse.


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