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Perfil: George W. Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente americano, George W. Bush, projetou-se como um líder forte que é capaz de defender os Estados Unidos em tempos de guerra. Foi assim que ele se apresentou durante um discurso na convenção do Partido Republicano, evento cujo objetivo era estabelecer que a eleição seria dominada pelo debate sobre segurança nacional. Ele tem insistido mais e mais nesta questão neste final de campanha. Os eventos não aconteceram da forma como ele havia previsto quando assumiu o poder prometendo ser "um unificador não um divisor" e como alguém que acreditava em uma política externa "humilde". 11 de setembro Bush está lutando por um segundo mandato com o seu país e o mundo dividido por causa da guerra contra Saddam Hussein. Aliados e adversários concordam que o melhor momento de Bush ocorreu logo após os atentados de 11 de setembro de 2001. O presidente americano enfrenou dificuldades para reunir, na guerra do Iraque, o mesmo apoio conseguido após os ataques contra Nova York e Washington. Ainda assim, ele não relaxou na sua determinação nem na sua crença de que estava certo – apesar de nenhuma arma de destruição em massa ter sido encontrada no Iraque. Para "George Bush Júnior" (denominação da qual ele não gosta; prefere que usem a sua inicial do meio W. para distingui-lo do pai), a reeleição não iria apenas reconhecê-lo como um líder, mas como um líder de um país em guerra. Ser reeleito compensaria a derrota do pai depois do seu primeiro mandato e ele pode até se orgulhar de ofuscar o próprio pai. A vitória nas eleições desta terça-feira também validaria a sua visão do cidadão típico do interior do país. Em um jantar com jornalistas em 2001 em Washington, ele caçoou de si mesmo pelos seus tropeços no inglês, mas em seguida fez uma pausa e disse: "Mas, vocês sabem, a vida continua". O que ele estava sugerindo ao povo americano é que isso não era importante. Certas ou erradas, foram muitas as decisões tomadas por Bush. Em 2001 e 2002, ele respondeu à crise causada pelos atentados de 11 de setembro declarando "a guerra contra o terror", depondo o Talebã (milícia que governava o Afeganistão) e criando uma doutrina de "ações preventivas". Ele parece ter alcançado a maturidade como presidente quando, sobre os escombros do World Trade Center, disse que "aqueles que fizeram isso vão em breve ter notícias de nós". Em 2003, Bush foi um passo adiante e invadiu o Iraque. Foi longe demais? É difícil dizer, mas, se os eleitores puderem ser convencidos de que o Iraque está a caminho de ter um governo representativo e de que os Estados Unidos estão preparando a sua saída do país, talvez eles esqueçam das armas de destruição em massa. Se o país continuar um caos, ele pagará por ter jogado fora a simpatia do mundo e conquistado o desprezo internacional. Para alguns, a guerra sempre foi errada e sempre será. Isso também se aplica à política interna americana. Bush não se acovardou em tomar decisões difíceis. Em 2003, ele cortou impostos novamente, apesar de um crescente déficit fiscal. O argumento do presidente era que a economia precisava de um estímulo, mas ele foi acusado de roubar dos pobres para ajudar aos ricos. Religião George W. Bush levou à Presidência dos Estados Unidos o fervor religioso que o fez se tornar um cristão "renascido" e o compromisso que assumiu ao parar de beber. Ele tinha um ar de um homem convertido, mas a maioiria das pessoas que o conhecem diz que ele as encanta. Certamente, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, é uma delas. Blair admirou em Bush mais do que o seu aperto de mão firme e o hábito de olhar fundo nos olhos das pessoas. Ele o viu como uma alma gêmea, alguém que também estava preparado para mudar o mundo. O primeiro-ministro britânico já havia se mostrado disposto a enviar tropas a Kosovo em 1999, mas não contou com o apoio do então presidente americano, Bill Clinton. Com Bush foi diferente. Se eles vão ser vistos como cavaleiros ou como uma versão de Don Quixote e Sancho Panza é algo para historiadores e cartunistas julgarem. Demorou muito tempo para a personalidade de Bush aparecer. O fato de ele ter sido criado em uma família cheia de políticos bem-sucedidos lhe abriu muitas portas. Ele estudou em escolas de elite e fez na prestigiosa Universidade de Yale, mas parecia não ter idéia do que fazer com a própria vida. Durante a guerra do Vietnã, ele se inscreveu para o serviço militar, não para lutar na frente de batalha, como fez o seu hoje rival democrata John Kerry, mas como um piloto da Força Aérea por meio período – e nunca foi enviado para a guerra. Mas aos poucos ele foi se tornando mais sério. Ganhou dinheiro ao vender o time de beisebol dos Texas Rangers, que ele havia comprado barato, em sociedade com outros investidores, e desenvolveu de forma astuta. Bush também seguiu os conselhos da sua esposa, Laura, e mudou seu estilo de vida. A primeira tentativa de Bush na política foi entrar no Congresso americano. Sem êxito, ele tentou o governo do Estado do Texas e venceu. A sua adversária, a então governadora do Texas Ann Richards, cometeu um grande erro ao menosprezá-lo. George W. Bush sempre teve uma enorme vantagem: os seus adversários sempre o subestimaram. Talvez eles não façam mais isso. |
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