|
Brasileiros-americanos não pensam no Brasil na hora de votar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A maioria dos brasileiros com cidadania americana não pensa no Brasil na hora de escolher um candidato para presidente dos Estados Unidos. Para a maioria dos naturalizados ouvidos pela BBC Brasil, questões como imigração e relações diplomáticas, que interessam muito aos milhares de brasileiros sem cidadania americana ou que estão ilegais no país, não estão sendo um fator de peso na hora de escolher um candidato. Muitos naturalizados inclusive não concordam com a posição que, segundo pesquisas, a maioria dos brasileiros no Brasil defende, e prometem votar pela reeleição do presidente George W. Bush. Não se sabe ao certo quantos brasileiros naturalizados vão votar para presidente, já que nos Estados Unidos o voto não é obrigatório nem há estatísticas atualizadas sobre o total de pessoas que se encaixam nesse perfil. Mas, de acordo com o Serviço de Imigração e Naturalização americano, entre 1991 e 2003 cerca de 31 mil brasileiros se naturalizaram, e todos têm o direito de votar para presidente. Brasileiros republicanos Jorge Nunes, editor do jornal Achei USA, voltado à comunidade brasileira da Flórida, acha que o perfil político dos naturalizados é bastante diferente do dos demais imigrantes brasileiros. "A gente não tem ainda uma idéia por que isso acontece", explicou. "Mas o fato é que a maioria das pessoas que eu conheço que são cidadãos naturalizados são republicanos." "Em geral, a nossa comunidade aqui, que não tem poder de voto, parece que tem uma tendência a apoiar o John Kerry." Um exemplo típico dos eleitores brasileiros naturalizados de que fala Nunes é Celso de Oliveira, professor de português do Departamento de Línguas da Universidade da Carolina do Sul. Para Oliveira, que vive nos Estados Unidos há 37 anos, o fato de ser brasileiro não teve nenhuma influência na sua escolha e, sim, o perfil do candidato. "Eu sou católico e, em certas coisas, eu me associo muito mais com um candidato do que com o outro, principalmente na situação do aborto ou coisas desse tipo", disse. Para Timon Huber, um republicano que trabalha para a Embraer na Flórida, "seria injusto para a minha cidadania americana votar como um brasileiro ou com um pensamento do Brasil". "Eu acho que os americanos que têm menos tempo de cidadania americana têm uma preocupação maior com o peso do Brasil, com a relação de um candidato com o Brasil. Eu acho que no caso das pessoas que estão há mais tempo aqui, como eu, não tem tanto", disse ele, que mora há 22 anos nos Estados Unidos. "Segregação" Outros imigrantes se queixam de uma apatia por parte dos brasileiros nos Estados Unidos, o que seria um sinal de que muitos não têm consciência da importância do voto.
Essa, por exemplo, é a opinião de Isabel Santos, uma mineira que vive no país há mais de 17 anos e está participando ativamente do processo eleitoral como cabo eleitoral de John Kerry. "Eles chegam, se acomodam, vão trabalhar, compram suas casas, querem ter suas vidas. E sempre quando o país dá uma coisa de melhor, eles gostam. Mas só que eles não sabem que, para que isso aconteça, eles também terão que ir às ruas, terão que votar, terão que ter voz", disse. Isabel vive na Flórida, para onde se mudou há dois meses após viver no Estado de Massachusetts.
Ela disse que, na base da conversa com outros imigrantes naturalizados americanos, já convenceu cerca de 60 pessoas a votar. Para ela, o fator mais importante na escolha de seu candidato foi a posição dele em relação à imigração. "Ele (Kerry) parece ser uma pessoa que vai ajudar principalmente os imigrantes, porque a mulher dele é imigrante", disse. Isabel explica que, por meio do voto, a comunidade brasileira tem a chance de se fortalecer nos Estados Unidos. "Imagine uma avenida. De um lado, estão um milhão de pessoas que são imigrantes ilegais. Do outro, estão 200 cidadãos americanos. John Kerry e George W. Bush passam pela avenida. Qual lado vai chamar a atenção deles? O dos cidadãos, porque ali é que vão ter votos." Jorge Nunes, do jornal Achei USA, reconhece que ainda existe dificuldade em convencer os brasileiros naturalizados a pensar mais no interesse da comunidade como um todo e nos problemas enfrentados pela maioria com a imigração americana. "Elas (essas pessoas) conseguem esse status de cidadão, então parece que elas não pertencem mais a esse 'comum' do brasileiro que vem para cá. De certa forma, fica uma coisa meio segregacionista, mas em última instância são todos brasileiros." |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||