|
Taxa de renovação no Congresso costuma ser mínima | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A duas semanas do final, a corrida presidencial americana é uma caixinha de surpresas. Pode dar tanto George W. Bush como John Kerry. Mas no Congresso será uma surpresa espetacular, a rigor um milagre político, se os democratas conseguirem se apossar de uma das duas Casas que hoje são propriedade republicana. À primeira vista, em termos puramente numéricos, a tarefa parece atingível. No Senado com 100 membros, os democratas estão a dois votos da maioria (são 34 cadeiras em jogo este ano) e na Câmara com 435 integrantes e todas as cadeiras em jogo - como a cada dois anos - eles precisam ganhar uma dúzia a mais do que possuem hoje para ter o controle da Casa. Há dois meses, estrategistas democratas ainda tinham uma conversa mais promissora. Sonhavam com uma arrancada vigorosa de John Kerry na corrida presidencial capaz de alterar o ritmo no Congresso, mas agora no final do outubro, o analista não partidário Charlie Cook, que conhece distrito a distrito, não vê um cenário promissor. No Senado, ele diz, os democratas ainda podem sonhar. Na Câmara, o partido de Kerry precisa cair na real e se resignar a mais dois anos de controle Republicano. Ficar tudo na mesma na divisão de cadeiras será uma vitória para os democratas. Pouca disputa Com a disputa presidencial tão equilibrada, ela não tem condições de provocar movimentos sísmicos na corrida legislativa. Michael McDonald, do Instituto Brookings, em Washington, calcula que para recapturar o Congresso, os democratas precisariam de 57% do voto popular, o que parece praticamente impossível a esta altura do campeonato. Há fatores mais sistêmicos que impedem uma virada no Congresso. O ambiente para os novatos que desafiam o controle dos veteranos no Senado e na Câmara é cada vez mais hostil. O novo desenho distrital - que consolidou o poder dos democratas e republicanos em suas respectivas áreas de dominação - e o custo de campanha são obstáculos gigantescos para os desafiantes. O consenso entre os analistas é de que não mais de 35 cadeiras na Câmara e oito no Senado são efetivamente competitivas, a maioria em território eleitoral favorável aos Republicanos. Desde 1998, apenas 16 deputados de plantão que disputaram a reeleição foram derrotados, e guinadas são ainda mais raras no Senado. Charlie Cook estima que a disputa será realmente suada em apenas 13 dos 435 distritos que correspondem à Câmara. Monopólio Existe, portanto, o contraste entre a competição vigorosa pela Casa Branca e esta corrida patética no Congresso. Acidamente, a revista The Economist comentou que o regime norte-coreano deve se sentir orgulhoso da marcha democrática no Legislativo norte-americano, onde a taxa de reeleição é de 99%. Outro dado melancólico: mais de nove em dez americanos vivem em distritos que são, para todos os efeitos, monopólio de um dos dois grandes partidos. De qualquer forma, a nova composição das duas Casas do Congresso é sempre aguardada com muito interesse, tanto pelos americanos como no resto do mundo. Para dar uma medida, o ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos Rubem Barbosa lembrou na semana passado que está aí no calendário a renovação da Trade Promotion Authority (a Autorização de Promoção Comercial dada pelo Congresso americano para o Executivo negociar acordos comerciais). E, como indicou a ex-embaixadora dos EUA no Brasil Donna Hrinak, hoje 63% dos congressistas democratas e 60% dos republicanos têm inclinações protecionistas. A eleição de novembro provavelmente não mudará muita coisa. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||