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Candidatos mostram profundas divisões no debate | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente George W. Bush e o senador John Kerry deixaram claras algumas das diferenças entre suas propostas para os Estados Unidos e trocaram duras críticas no último debate desta campanha presidencial, realizado na noite de quarta-feira em Tempe, no Arizona. O debate foi centrado em questões domésticas e os candidatos mostraram discordâncias em temas como impostos, saúde pública, economia, segurança nacional e nas questões morais - como aborto e casamento homossexual -, que têm grande peso para muitos eleitores americanos. Mas os dois também abriram espaço em suas respostas para trocar críticas a respeito da guerra no Iraque. Bush repetiu diversas vezes que Kerry quer aumentar gastos públicos e, por conseqüência, impostos, e disse que o senador está na "extrema esquerda" no espectro político americano. Kerry confirmou que pretende ampliar a atuação do Estado em diversas áreas mas reafirmou seu compromisso com a responsabilidade fiscal e voltou a prometer que vai apenas acabar com os cortes de impostos "para os ricos" instituidos pelo presidente Bush. "O presidente Bush querer me dar lições a respeito de responsabilidade fiscal é como Tony Soprano querer dar lições sobre lei e ordem", disse Kerry fazendo referência ao protagonista do seriado de televisão Família Soprano, que retrata o dia-a-dia de uma família de mafiosos. Indecisão Pesquisas de opinião feitas imediatamente após o debate apontaram para uma vitória do senador Kerry, mas a maioria dos analistas - assim como eleitores ouvidos pelo BBC Brasil - não acreditam que o debate vá ter grande impacto direto nas intenções de voto. "Eu tenho de digerir todos os fatos e chegar a uma conclusão a respeito de como essas propostas vão me afetar", disse o indeciso Jeff Ferbeck, depois de assistir ao debate. "Acho que a grande questão é se queremos continuar o plano que está sendo seguido agora, mesmo com os problemas, ou se é melhor arriscar mais e tentar uma coisa nova. É uma decisão difícil." Analistas observam que a proporção de eleitores indecisos é pequena nesta eleição - da ordem de 5% a menos de 20 dias das eleições - e que a maioria deles está deixando para tomar a decisão mais perto da hora de ir às urnas. Em uma pesquisa por telefone feita pela rede de TV CNN depois do debate, 52% dos eleitores entrevistados disseram que Kerry tinha se saído melhor e 39% apontaram Bush como vitorioso. Na consulta feita pela rede de TV CBS, o desempenho de Kerry foi apontado como melhor por 39% e o de Bush por outros 25%, enquanto 36% dos entrevistados afirmaram que a discussão terminou em empate. Em pesquisa da rede ABC, o resultado foi bem mais apertado: 42% para Kerry e 41% para Bush. Os eleitores de Kerry e de Bush que estavam assistindo ao debate no Arizona se disseram muito satisfeitos com o desempenho de seus candidatos mas admitiram que o discurso pode não ser tão eficaz junto aos indecisos. Incompreendido O eleitor democrata Todd Gredte disse que Kerry foi "muito melhor" do que Bush neste debate, mas teme que a mensagem do candidato não tenha sido entendida pelos tão disputados indecisos. "Kerry é o político mais incompreendido dos Estados Unidos hoje", lamentou Gredt. "É um absurdo que ele não possa mostrar que sabe falar francês porque as pessoas vão achar que as idéias dele são muito complexas", disse. Já a eleitora independente Suzan Lagaha, que vai votar em Kerry, está mais otimista com o alcance da mensagem do candidato. "Acho que não importa ser liberal ou conservador. Os eleitores vão escolher o homem que for melhor para o país agora e acho que a grande diferença entre os dois agora é que Kerry demonstrou que tem a mente aberta e está pronto para trabalhar com diversas opiniões. Espero que isto seja compreendido pelo eleitores indecisos", disse. Surpresa O eleitor Robert Gordon também se qualifica de independente mas diz que este ano vai votar em Bush, porque teme o que pode acontecer no Iraque se houver uma troca na liderança dos Estados Unidos agora. Gordon ficou satisfeito com o desempenho de Bush neste debate, para ele, melhor do que nos dois primeiros encontros. Mas não acredita que muita gente vá tomar as decisões com base nesta discussão. "Acho que as coisas serão decididas bem mais perto das eleições", opina. "Pode ser que aconteça mais alguma coisa grande e inesperada, como a invasão da escola na Rússia (por extremistas chechenos, em setembro) e mude de repente a visão de muita gente", disse. |
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