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Atualizado às: 01 de novembro, 2004 - 10h52 GMT (07h52 Brasília)
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Agonia eleitoral dos EUA chega ao fim...ou não

Kerry e Bush
Tom genérico domina mensagens negativas dos dois candidatos
Na reta final, George W. Bush chega resoluto, cego nas suas certezas, como se fosse guiado por uma luz divina.

John Kerry chega, como sempre, ajustando o seu passo, ainda precisando calibrar os ataques contra o presidente.

O tom genérico das mensagens negativas bombardeadas pelos dois candidatos pegou e foi apropriado pela revista "The Economist", que na capa da edição corrente pergunta cheia de agonia: o incompetente ou o incoerente?

Identificações de quem é quem na percepção popular são desnecessárias a esta altura do campeonato.

Clichês

Após meses de uma campanha suja, cara e volátil, pródiga em ataques ao caráter e à personalidade dos dois candidatos, é melhor ficar mais agoniado do que chocado ou entediado.

Um dos clichês desta temporada eleitoral é que os americanos estão polarizados. Um outro é que muito está em jogo.

Lugares-comuns podem ser verdades. Talvez haja um excesso de perfis psicológicos sobre Bush e Kerry para estimar qual dos dois está melhor preparado para proteger a segurança nacional do país.

Esta é uma batalha eleitoral em tempos de guerra, a primeira desde os atentados do 11 de setembro.

Isso, porém, não deve embaçar o fato de que se está em uma encruzilhada sobre como governar o país mais poderoso do mundo.

Diferenças

Não se trata de uma eleição burocrática, em que basicamente os cidadãos estarão escolhendo entre duas marcas de detergente, como o candidato independente Ralph Nader gosta de enfatizar.

Em termos muito esquemáticos, pode-se dizer que há uma diferença profunda entre os candidatos na filosofia de governo.

Bush prega um governo muito ativo para botar para quebrar no mundo, buscando alianças por escolha e não por necessidade. Mas quer baixar a bola do governo dentro de casa, estimulando os cidadãos a se virarem em questões como saúde e aposentadoria.

Kerry adverte contra o perigo de privatização e individualização de um pacto social onde o governo tem um papel-chave e muito caro.

O democrata bate na tecla que tampouco abre mão de prerrogativas imperiais, mas adverte contra o viés unilateralista do republicano fora de casa.

Participação

O eleitorado está consciente da importância desta eleição.

Num país em que o voto é facultativo, a participação poderá ser a maior em 36 anos, ou seja, em uma geração.

O historiador da Universidade de Stanford, David Kennedy, alinha a eleição de terça-feira entre o punhado das mais importantes da história americana.

A última que ele considera efetivamente crucial é justamente a de 1968, na qual o republicano Richard Nixon derrotou o democrata Hubert Humphrey por uma margem inferior a 1% no voto popular.

Esta é uma daquelas eleições que pode decidir o tipo de projeção externa da superpotência americana, hegemonia partidária por uma geração, a composição da Corte Suprema por décadas e o alcance da influência religiosa na vida pública

As dúvidas sobre os dois candidatos se tornam mais agonizantes justamente em função da importância do momento histórico.

Na definição de Andrew Kohut, do independente centro de pesquisas Pew, os americanos "olham para Bush como um presidente cheio de falhas e não estão à vontade com Kerry".

Para complicar, há o temor de uma agonia eleitoral, com o eventual impasse na contagem dos votos deteriorando a confiança nas instituições.

Não é à toa que muitos analistas advertem para a necessidade de um dos candidatos vencer de forma decisiva na terça-feira e ter um mandato indiscutível a partir de 20 de janeiro.

É sintomático que publicações importantes do establishment mundial, como The Economist e Financial Times, acabaram, com relutância, endossando o democrata Kerry como a opção mais segura em tempos turbulentos.

Não votam, mas compartilham a agonia dos eleitores.

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