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Anistia cobra mais ação do governo Lula contra a violência | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O representante da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill, criticou a postura do governo federal em relação aos projetos de combate à violência. Cahill diz que a Anistia está preocupada com o rumo das ações no Brasil. "A nossa preocupação não é que (a política de segurança) está caminhando a passos lentos, é que não está caminhando de maneira nenhuma." "A mudança na Secretaria Nacional de Segurança Pública, onde estavam pessoas que tinham um papel reconhecido na criação do projeto Susp (Sistema Único de Segurança Pública), parece que parou", afirma Cahill. "Isso porque as questões de segurança pública não são realmente de interesse político." Para o representante da Anistia, a segurança pública tem sido deixada de lado pelo governo por ser uma questão "difícil de ser vendida politicamente". "As pessoas querem respostas imediatas, e esses projetos são muito profundos para terem resposta imediata." Polícia Um dos pontos chaves para o controle da criminalidade, segundo Cahill, é controlar a violência policial. "Nos últimos oito anos, vimos o aumento de mortes cometidas por agentes de segurança. No Rio de Janeiro, por exemplo, (o crescimento) tem sido de 300%. São dados oficiais", afirma. "Isso tudo tem que ser visto como um reconhecimento público pelas autoridades de que eles tem um papel para a reforma da segurança pública", acrescenta. "E uma segurança pública que seja violenta, que seja repressiva, não vai acabar com os abusos e com os homicídios." Cahill considera "chocante" os números de crimes cometidos no Brasil. "Quarenta e cinco mil pessoas em 2002 oficialmente morreram por alguma forma violenta", diz o representante da Anistia. "Isso precisa ser reconhecido, tanto pelo governo federal como pelos estaduais, e combatido de uma maneira sistemática, de longo prazo, e não só de uma forma eleitoreira como tem sido feito durante muitos anos", critica. Medo Para Tim Cahill, o próprio brasileiro não encara de frente o problema da violência, como forma de sobrevivência. "De certa forma, é impossível viver o dia-a-dia sempre reconhecendo esse nível de violência. As pessoas já vivem com um certo medo. Se o medo aumenta, não nega o fato de que muitos brasileiros sofrem por causa da violência." Cahill lembra que os mais prejudicados com o aumento da violência são aqueles que vivem na parte mais excluída da sociedade, que não têm condições de se proteger. De outro lado, quem tem condições para isso encontra alternativas para se proteger. "É claro que tem que se criar uma maneira de lidar com essa violência do dia-a-dia", afirma o representante da Anistia Internacional. "As pessoas se fecham dentro de bunkers, apartamentos e blocos, como Alphaville (condomínio de classe média alta em São Paulo), se fechando um pouco do que está acontecendo do lado de fora, não querendo pensar na necessidade de como combater esses problemas. E ao mesmo tempo, procurando respostas de curto prazo." |
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